Comunistas recorrem a "feng shui" para acelerar carreira política
Agência EFE
XINJIANG - Pedir conselho aos mestres do feng shui para galgar posições políticas tornou-se uma prática comum entre os quadros comunistas, no período atual de renovação quadrienal dos Governos locais, informou nesta sexta-feira a imprensa chinesa.
Muitos dirigentes do partido pagam até US$ 75 mil por ano a mestres do feng shui, que dizem como localizar os móveis e onde pôr amuletos para afugentar as más influências.
O feng shui é uma forma de sabedoria popular que diz como devem ser dispostos os objetos e a luz em casas e jardins. Mas os conselhos vão às vezes muito além disso.
Entre os casos revelados pela revista está o de um funcionário da província de Zhejiang, no leste do país. Ele não hesitou em transferir os túmulos de seus parentes até o monte Tian Shan, na província de Xinjiang, no noroeste, a milhares de quilômetros do local onde estavam.
O ex-diretor do Departamento Fiscal da província de Hebei pagou US$ 600 a um mestre que simplesmente previu que ele acabaria se tornando governador em cinco anos.
Já o secretário do partido da cidade de Taian, na província de Shandong, no leste, mandou mudar o traçado de uma estrada em construção, para que ela passasse sobre um reservatório. O motivo: um mestre disse que ele podia vir a ser vice-primeiro-ministro, mas para isso precisava de uma ponte.
Alguns dos políticos foram depois condenados por corrupção, diz a revista.
Segundo explicaram vários professores consultados, desde a segunda metade de 2006 sua carteira de clientes, antes composta em sua maioria por empresários, passou a incluir os quadros comunistas devido às eleições locais, realizadas a cada quatro anos.
O prestígio do feng shui não agrada ao Governo chinês, que nos últimos anos vem tentando combater os adivinhos, porque difundem a superstição e atacam o espírito científico.
Segundo Wang Chanjiang, da Escola Central do Partido Comunista, o fenômeno se deve ao momento de transição no país.
- A teoria revolucionária não pode explicar os novos problemas surgidos durante a reforma e abertura econômicas, e as novas teorias ainda não se estabeleceram. Daí se popularizam as superstições - disse.
