Violência aumenta no Timor-Leste e deixa um morto e oito feridos

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Agência EFE

DÍLI - Uma pessoa morreu, oito ficaram feridas - duas em estado grave -, e seis casas foram incendiadas nesta quarta-feira em um novo surto de violência entre alunos de escolas de artes marciais rivais em Díli, informaram fontes oficiais.

O inspetor Mateus Fernandes confirmou à Efe a morte de um dos jovens participantes da rixa. O corpo foi levado paro necrotério do Hospital Nacional de Díli.

Outro policial, Eugênio Pereira, disse que os delinqüentes utilizaram armas de fogo. Soldados portugueses, australianos e neozelandeses usaram bombas de fumaça e balas de borracha para sufocar o tumulto.

- A luta é conseqüência dos enfrentamentos de ontem, quando incendiaram duas casas. A informação que tenho do meu pessoal no local é que queimaram mais seis. Portanto, desde ontem, há oito casas de gente inocente destruídas, acrescentou Pereira.

Mateus Maia, de 45 anos, morador do bairro de Bairopite, onde começou o tumulto, perdeu a casa e o carro.

"Não sei por que atacaram a minha família e a mim. Sou uma pessoa comum, não entendo de política nem das diferentes ideologias políticas, mas incendiaram minha casa e meu carro. É uma situação muito dolorosa para nós. Fiquei sem minha casa', contou Maia à Efe, às lágrimas, na delegacia onde buscou refúgio.

O chefe da emergência do Hospital Nacional, Américo dos Santos, informou que foram atendidas oito pessoas de ferimentos diversos.

- Ontem ninguém veio ao hospital, mas hoje uma ambulância da UNPol (Polícia da ONU) trouxe oito jovens feridos. Dois deles estão em estado grave e estão na UTI. Um levou um tiro nas costas e o outro no pescoço, detalhou.

A Polícia prendeu 13 pessoas ligadas aos distúrbios.

O Timor-Leste realizou eleições presidenciais em 9 de abril e 9 de maio (primeiro e segundo turno). O período transcorreu quase sem violências, que assola o país há um ano, quando começou a crise política. O próximo presidente do país será o independente José Ramos Horta, de 57 anos, prêmio Nobel de Paz, que hoje apresentou sua renúncia como primeiro-ministro, cargo que ocupava desde julho de 2006. Ele toma posse na presidência neste fim de semana.

Os timorenses devem voltar às urnas no dia 30 de junho para escolher um novo Parlamento, do qual sairá o Governo.

O Conselho de Segurança da ONU criou a Missão Integrada no Timor-Leste em agosto de 2006 com o mandato de ajudar os timorenses a restabelecer a ordem. A força tem 1.608 policiais e 34 militares. O representante especial do secretário-geral da ONU na ilha, Atul Khare, se disse preocupado com o aumento da violência em conseqüência da rivalidade entre academias de artes marciais.

- Preocupa-me ver grupos de jovens brigando. Nas últimas 24 horas, disse a todos os dirigentes políticos do país que a violência por razões políticas é inaceitável, e todos concordaram, disse Khare.

Ele acrescentou que Ramos Horta e os chefes dos principais grupos políticos do país aceitaram que 'qualquer pessoa que cometa um delito deve ser presa'.