Senado americano rejeita cronograma de retirada das tropas do Iraque

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Agência AFP

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira o projeto de lei - cujo impacto é de fato mais simbólico que real - que pretendia obrigar o presidente George W. Bush a finalizar a retirada das tropas americanas do Iraque até o dia 31 de março de 2008.

A maioria democrata não conseguiu obter os 60 votos necessários para aprovar a proposta. Foram apenas 29 votos a favor contra 67.

Com exceção do orçamento destinado a medidas antiterroristas, treinamento de tropas iraquianas e a proteção de instalações americanas no Iraque, o projeto previa um corte no repasse de fundos às tropas no Iraque depois do dia 31 de março de 2008.

A contrapartida exigida para evitar o corte seria o estabelecimento de um cronograma de retirada das tropas americanas do país, que deveria começar 120 dias após a aprovação da medida.

Foi o mais recente e tenso episódio de enfrentamento entre a maioria democrata no Congresso e a Casa Branca sobre a guerra - cada vez mais impopular.

Além disso, foi um primeiro sinal da oposição democrata de que existem senadores no Congresso dispostos a usar o controle sobre o orçamento píblico para encerrar o conflito.

A iniciativa também permitiu aos principais pré-candidatos - como os senadores Hillary Clinton e Barack Obama - expor seus planos para pôr fim a uma guerra que já provocou a morte de cerca de 3.400 soldados americanos, além de milhares de iraquianos.

Para evitar o risco de um veto presidencial, o projeto dava a Bush a opção de não realizar a retirada de forma precipitada, mas os líderes democratas não convocaram uma votação depois que a Casa Branca anunciou que vetaria a proposta de qualquer maneira.

Os senadores também submeteram à votação um projeto republicano, exigindo que Bush informasse o Congresso em julho sobre os avanços políticos no Iraque. Mas somente 52 senadores votaram a favor, oito a menos do que o necessário para aprovação.

Uma terceira proposta que poderia ser votada prevê que o Congresso aprove o mais rápido possível o pedido do presidente de liberação de fundos de emergência para a guerra.

Bush também vetou um projeto de lei conjunto de ambas as câmaras que vinculava a aprovação do orçamento a um cronograma para a retirada das tropas do Iraque.