Khamenei diz que negociações com os EUA serão sobre Iraque e não Irã
Agência EFE
TERÃA - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira que Teerã não negociará com os Estados Unidos sobre as relações entre os dois países, rompidas desde a década de 1980, e que o diálogo previsto em Bagdá será apenas sobre a segurança no Iraque.
Em reunião com clérigos iranianos, Khamenei falou do recente anúncio de que Irã e EUA terão uma reunião em Bagdá sobre o Iraque, sem data marcada até agora, segundo a agência de notícias 'Irna'.
- Está enganado quem pensa que a República Islâmica tenha mudado sua lógica política de rejeitar o diálogo e o estabelecimento de relações com os EUA. Como se pode dialogar com o Governo americano que é arrogante e invasor, especialmente na época de seus atuais governantes rudes, sem educação e descorteses? - questionou o líder máximo iraniano.
Ao mesmo tempo, acusou os EUA de 'não assumirem sua responsabilidade para o restabelecimento da segurança no Iraque', de "tentarem fazer cair o Governo iraquiano' e de 'apoiar o terrorismo'nesse país.
Além disso, disse que Teerã 'só aceitou iniciar negociações com os EUA sobre o Iraque em resposta a um pedido do Governo iraquiano', controlado pela comunidade xiita. 'Nessas conversas os iranianos só lembrarão aos invasores de sua responsabilidade respeito à segurança do Iraque'.
Khamenei assegurou que a Administração americana 'apresentou por escrito à República Islâmica um pedido para iniciar essas conversas'.
O Irã, que tem influência especial sobre a maioria xiita iraquiana, exige que as forças estrangeiras abandonem o Iraque, e as responsabiliza pelo conflito sectário com os sunitas.
Já os EUA acusam o Irã de apoiar milícias xiitas violentas e envolvidas no conflito sectário e de fornecer armas a grupos sunitas que atuam contra as tropas americanas no território iraquiano.
