Suspeito de terrorismo detido em Guantánamo acusa EUA de tortura
Agência EFE
WASHINGTON - O paquistânes Majid Khan, suspeito de terrorismo detido na base americana de Guantánamo, acusou nesta terça-feira as autoridades americanas de tortura.
O Pentágono ofereceu nesta terça uma transcrição da audiência realizada em 15 de abril para determinar se Kahn era um inimigo combatente.
Desde o ano passado, os prisioneiros definidos pelo Executivo como combatentes inimigos não têm direito a habeas corpus, ou seja, não podem questionar sua detenção perante os tribunais civis do país.
Kahn era morador dos Estados Unidos e antes de chegar a Guantánamo estava detido em uma das prisões secretas da CIA no exterior.
O jovem paquistanês, de 26 anos, é um dos 14 detidos que Washington reconheceu que a CIA (agência de inteligência americana) mantinha nessas prisões e que foram depois transferidos a Guantánamo.
Durante a audiência, Khan negou pertencer à rede terrorista Al Qaeda e afirmou que não era um extremista nem um inimigo combatente.
Na ocasião, o acusado também entregou ao tribunal um comunicado no qual jura que Guantánamo é pior do que as prisões da CIA. - Aqui me torturam mentalmente - diz a transcrição oferecida pelo Pentágono.
Além disso, afirmou que os agentes rasparam sua cabeça para humilhá-lo e ofender sua religião e que não pôde ter acesso a seu pai e a seus advogados.
Segundo um comunicado lido por seu pai, Ali, na audiência, Khan foi detido na casa de seu irmão, Mohammed, em Karachi (Paquistão), em 5 de março de 2003.
Segundo Mohammed, Khan disse que os americanos o torturaram durante oito horas, o mantiveram amarrado até que suas mãos, seus pés e sua cabeça ficaram inchados.
Para as autoridades americanas, Khan seria um terrorista da Al Qaeda escolhido por Khalid Sheik Mohammed, considerado o cérebro dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e em Washington, para perpetrar um possível ataque contra os Estados Unidos.
