Colômbia substitui cúpula policial acusada de espionar políticos
Agência EFE
BOGOTÁ - O Governo da Colômbia denunciou na última segunda-feira que a Polícia Nacional espionou ilegalmente autoridades, funcionários e políticos de oposição, e substituiu a cúpula da entidade, a começar por seu diretor, o general Jorge Daniel Castro, informou o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.
O ministro, em comunicado lido à imprensa na Casa de Nariño (sede presidencial), anunciou a nomeação do general Óscar Naranjo como novo diretor da Polícia. Ele é o atual chefe do Departamento de Polícia Judicial e de Investigação (Dijin).
A decisão foi tomada um dia depois de a revista Semana publicar declarações aparentemente feitas por ex-paramilitares presos, gravadas sem autorização judicial.
Santos, que estava reunido com o presidente Álvaro Uribe, disse que uma rápida investigação estabeleceu que a espionagem foi feita nos últimos dois anos pela Diretoria de Inteligência da Polícia (Dipol), que vazava os dados para a imprensa.
O general Castro e o chefe da Dipol, general Guillermo Chaves, pediram para receber baixa. O pedido foi aceitou imediatamente.
A investigação continua e pode levar nas próximas horas à destituição de outros oficiais da cúpula.
- O Governo reagiu logo que recebeu a informação. Foi aberto para comunicar à opinião pública os fatos de corrupção e também as dificuldades no próprio Governo - disse Santos.
O ministro da Defesa explicou que também se estabeleceu que o pessoal da Dipol vinha fazendo gravações há mais de dois anos, espionando pessoas que não estavam sendo objeto de investigação alguma, inclusive membros do Governo e da oposição.
Ele considerou o procedimento totalmente inaceitável, ilegal e contrário à política do Governo.
A chegada do general Naranjo à chefia da Polícia significa a saída de pelo menos outros 10 generais mais antigos. O oficial conquistou prestígio por suas operações bem-sucedidas de apreensão de drogas.
Nas gravações publicadas pela revista, um suposto ex-chefe paramilitar afirma que os ex-combatentes do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), desmobilizado num processo de paz realizado entre 2003 e 2006, continuam comandando o narcotráfico e outros crimes a partir da prisão de Itagüí, onde estão presos.
