Após mortes, palestinos renovam acordo contra violência
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GAZA - Facções palestinas renovaram na segunda-feira a promessa de empenho para manter seus militantes armados fora das ruas de Gaza, depois da renúncia do ministro do Interior e da maior onda de confrontos entre as facções nos últimos meses.
Horas depois, testemunhas disseram que homens armados não-identificados haviam sequestrado um conferencista da Universidade Islâmica, considerada um reduto de apoio ao grupo islâmico Hamas. As facções palestinas não comentaram o incidente.
Episódios similares, especialmente entre membros das facções rivais Hamas e Fatah, ocorreram nos últimos dias na Faixa de Gaza, apesar da trégua em vigor há meses. Dois militantes palestinos e dois civis foram mortos em confrontos na segunda-feira.
Nove pessoas morreram baleadas desde o início da atual onda de violência, na sexta-feira, que ressuscitou os temores de uma guerra civil.
O ministro palestino do Interior, Hani Al Qawasmi, que deveria ser responsável pelos serviços de segurança, renunciou devido à intensa competição com rivais da Fatah pelo controle dos contingentes armados, segundo autoridades.
Funcionários disseram que depois de conversas com o primeiro-ministro e líder do Hamas Ismail Haniyeh, que assumiu as funções de Qawasmi, líderes de ambos os lados aceitaram que todos os homens armados, exceto policiais, sejam retirados das ruas de Gaza.
- Os líderes da Fatah e do Hamas prometeram que ambos os lados vão acabar com todas as formas de tensão, acabar com as exibições de armas, retirar os homens armados e os postos de controle das ruas e trocar reféns - disse Ghazi Hamad, porta-voz do gabinete palestino.
A violência já frustrou acordos anteriores desse tipo, e a presença policial frequentemente não serve para dar segurança ao território, mergulhado em mais pobreza e turbulências políticas desde que Israel retirou suas tropas e colonos, em 2005.
RUAS TENSAS
A renúncia de Qawasmi põe em dúvida novamente a continuação do governo de coalizão entre o Hamas e a Fatah. A indicação de um novo ministro do Interior havia sido um dos principais obstáculos à formação de um governo de unidade em fevereiro.
- Tememos que algumas pessoas queiram disparar o tiro de misericórdia contra o acordo de Meca - disse Abdel-Hakim Awad, funcionário da Fatah, referindo-se ao acordo, mediado na Arábia Saudita, que permitiu a formação do governo de unidade nacional e também incluía promessas de controlar a situação.
- Vamos trabalhar para evitar isso, porque se acontecer trará uma catástrofe para a situação interna, e a área vai mergulhar num banho de sangue.
