Férias de Sarkozy provocam ironia e críticas na imprensa francesa

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Agência EFE

PARIS - As férias do presidente eleito francês, Nicolas Sarkozy, caracterizadas pelo luxo, provocaram uma onda de críticas e ironias entre a imprensa e os políticos, levando o próprio líder conservador a encurtar seu descando, marcando para esta noite o seu retorno a Paris.

Os jornais franceses destacam nas suas primeiras páginas e nos editoriais as férias de Sarkozy. Ele e vários membros de sua família estão a bordo de um iate de 60 metros de comprimento, em águas de Malta. O grupo chegou ao local num avião particular, cedido, assim como o barco, pelo empresário Vincent Bolloré, dono de uma das maiores fortunas da França.

Dias antes das eleições de domingo, em que venceu a socialista Ségolène Royal, Sarkozy tinha afirmado que tiraria alguns dias de folga para refletir sobre sua nova função presidencial.

A imprensa especulou que o local do 'retiro' poderia ser um mosteiro ou algum recanto tranqüilo da ilha de Córsega. No entanto, os jornais publicam hoje fotos de Sarkozy no luxuoso iate.

A imagem se une à de domingo à noite, quando Sarkozy foi a um exclusivo hotel e restaurante de Paris. No dia seguinte, saiu de lá para suas férias, acompanhado de sua mulher, Cécilia.

Jornais de esquerda, como 'Libération' e 'L'Humanité', perguntaram com ironia se esta é a ruptura que o candidato prometia na sua campanha

O semanário satírico 'Le Canard Enchainé' faz um trocadilho: "Isto começa mal' ("Ça commence Malte"). Também comenta a festa de Sarkozy, no domingo à noite, com seus 'amigos do CAC-40', o índice das empresas mais capitalizadas da Bolsa de Paris.

O nada esquerdista 'Le Parisien' fala de 'escapada dourada' e mostra como é o iate, cujo aluguel para três dias custa mais de ¬ 100 mil, fora os ¬ 90 mil do avião particular.

O conservador 'Le Figaro' se mostra mais austero em seus comentários. Mas publica a opinião de um colaborador próximo a Sarkozy, que admite que as férias em Malta não foram a melhor idéia para alguém que durante a campanha disse ser 'o candidato do povo' e representar 'a França que madruga'.

Políticos de esquerda e sindicatos carregam nas críticas ao luxo. Já os correligionários de Sarkozy justificam como podem a situação. Hoje, o ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin disse que o presidente eleito fez bem em dar alguns dias 'de felicidade excepcional' à sua família, que sofre uma 'pesada carga'.

Para Raffarin, Sarkozy deve começar a ser avaliado em 16 de maio, quando assumirá a Presidência e dedicará 'cinco anos de serviço exclusivo aos franceses'.

Contra os planos iniciais, Sarkozy assistirá amanhã a uma cerimônia comemorativa da abolição da escravidão, ao lado do presidente em fim de mandato, Jacques Chirac.