Irlanda do Norte inicia nova era de divisão de poderes

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BELFAST - Líderes protestantes e católicos da Irlanda do Norte, arquiinimigos durante décadas de derramamento de sangue, inauguraram na terça-feira um novo governo com divisão de poderes na província britânica, com o objetivo de pôr fim definitivo à violência.

O clérigo protestante radical Ian Paisley e Martin McGuinness, do partido Sinn Fein, prestaram juramento como primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro de um governo que terá autoridade sobre as questões locais da província.

A cerimônia pode ajudar a cimentar a estabilidade política na província que, desde o acordo de paz de 1998, conseguiu reduzir consideravelmente a violência sectária que havia matado 3.600 pessoas.

- Afirmo os termos do juramento do cargo, disse Paisley, citando as promessas de se comprometer com a não-violência e a apoiar o policiamento na província.

McGuinness repetiu as palavras numa reunião da Assembléia Norte-Irlandesa no edifício Stormont, em Belfast.

A cerimônia colocou em prática um acordo de 26 de março entre os principais grupos protestante e católico, o Partido Democrático Unionista (DUP, de Paisley) e o Sinn Fein, aliado da guerrilha Exército Republicano Irlandês (IRA), para dividirem o poder após anos de impasse.

Ao contrário das tentativas anteriores de coalizão, todas frustradas, os líderes desta vez parecem determinados em fazê-la funcionar.

- É um dia especial, porque estamos fazendo um recomeço e acredito que estamos começando numa estrada que nos devolverá a paz e a prosperidade, disse Paisley ao chegar no Stormont.

McGuinness afirmou ser um dia histórico.

- O que veremos hoje é um dos saltos mais poderosos adiante neste processo em quase 15 anos, declarou.

O líder do Sinn Fein, Gerry Adams, disse que o compartilhamento de poderes prova que o diálogo e a perseverança podem trazer resultados.

- Vamos mudar a paisagem política a partir daqui. Vamos ter sucesso.

Os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, e da República da Irlanda, Bertie Ahern, que durante uma década guiaram o processo de paz norte-irlandês, devem discursar mais tarde numa recepção.

Blair, que deve deixar o cargo em breve, considera o acordo entre a maioria protestante e a minoria católica da província como um dos principais feitos dos seus dez anos no poder.

Os dividendos da paz são evidentes em Belfast, onde a economia ganhou ritmo e os guindastes das construções dominam o horizonte.