Irã aceita acordo sobre agenda e desbloqueia negociação do TNP
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VIENA - O Irã aceitou na terça-feira um acordo acabando com suas objeções à agenda de uma reunião global sobre como reforçar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), evitando um colapso do evento após dias de impasse.
Teerã reclamava de uma passagem que 'reafirma a necessidade de plena obediência' ao TNP, argumentando que isso era um cheque em branco para ataques à atividade nuclear iraniana, em detrimento de outras questões do tratado que necessitam de debate.
O Irã, que rejeita as acusações ocidentais de descumprimento às salvaguardas do TNP, mas já sofreu sanções da ONU, aceitou uma nota de rodapé dizendo que tal 'obediência' se refere a 'todas as provisões' do tratado.
Os 130 países do TNP que participam da reunião então adotaram a agenda por consenso, o que provocou um aliviado aplauso no plenário.
Introduzido pela África do Sul, o anexo foi preparado para garantir ao Irã que o debate também iria pressionar os países com bombas atômicas a fazer mais para cumprir os compromissos sob o TNP de se livrar delas.
A República Islâmica afirma serem infundadas as suspeitas ocidentais de que estaria secretamente tentando construir uma bomba atômica por trás da fachada de um programa civil de enriquecimento de urânio dentro dos termos do TNP.
Mas Teerã não vem cooperando plenamente com as investigações da agência de vigilância nuclear da ONU, iniciadas depois que pesquisas iranianas estratégicas com combustível nuclear foram expostas por exilados do país, em 2002.
A aceitação iraniana do compromisso significou que a reunião de duas semanas, que vai até sexta-feira, pode começar um debate substancial sobre o estabelecimento de prioridades para os encontros que levam à próxima Conferência de Revisão do TNP, com poderes decisórios, em 2010.
A polêmica da agenda que paralisou o encontro quase desde o seu início, em 30 de abril, espelhou o impasse entre as potências ocidentais e o Irã por sua recusa em parar o enriquecimento de urânio.
O TNP obriga seus membros sem bombas nucleares a não adquiri-las, garante o direito de todos os membros à energia nuclear para fins pacíficos e obriga as cinco potências nucleares originais do pós-Segunda Guerra Mundial a desmantelar gradualmente seus arsenais.
O Irã culpa os Estados Unidos pelo impasse, acusando-os de autorizar uma agenda destinada a apontar o Irã como o principal transgressor do TNP e de calar as críticas às grandes potências por sua demora em eliminar os arsenais nucleares.
