Crianças argentinas andam milhares de quilômetros contra a fome

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Agência EFE

BUENOS AIRES - Cerca de 400 crianças acompanhadas por seus professores começaram nesta segunda-feira uma marcha de 4.600 quilômetros por seis províncias da Argentina para denunciar que 'a fome é um crime', e exigir que os menores não sofram com a pobreza. A manifestação, que terminará em Buenos Aires e é a quarta organizada pelo Movimento Nacional das Crianças do Povo, começou na cidade de Puerto Iguazú, na tríplice fronteira com Brasil e Paraguai, com um ato que teve a presença de meninos da comunidade guarani paraguaia Fortín Mbororé.

- Há na América Latina 250 milhões de pobres, e a maioria é de crianças e jovens: assim o futuro é mutilado - afirmou Carlos Chile, dirigente do Movimento Territorial de Libertação, uma das 300 organizações sociais que apóiam a manifestação.

- Nosso único objetivo é instalar na consciência da sociedade que a fome é um crime - acrescentou.

- A Argentina está sangrando. Mais da metade dos menores de 18 anos se encontra na pobreza, e dezenas de menores de 5 anos morrem por dia por causa da miséria - afirmou Alberto Morlachetti, coordenador do Movimento Nacional das Crianças do Povo.

Em comunicado, Morlachetti reiterou que 'a fome é um crime', porque na Argentina 'não faltam riquezas, nem alimentos nem pratos' para atender às crianças carentes.

- Faltam, por outro lado, a vontade política, a imaginação institucional, a compreensão cultural e a vontade de construir uma sociedade de semelhantes - denunciou.