Evo Morales sugere referendo para fazer do magistério profissão livre

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Agência ANSA

LA PAZ - O presidente boliviano Evo Morales anunciou hoje que "poderá convocar" um referendo para declarar o magistério como profissão livre, para que outros profissionais possam dar aulas caso continuem as greves no setor.

Morales fez a advertência quando milhares de professores urbanos voltaram a marchar pelo centro das principais cidades do país para exigir um aumento maior do que os 6% oferecidos pelo governo e a criação de 10 mil novos postos de trabalho para o setor.

De forma simultânea, 12 mil professores rurais que chegaram a La Paz vindos das províncias fizeram outra marcha e se concentraram diante do ministério da Educação para exigir a aprovação de uma lei de reforma do setor e outra sobre aposentadorias.

Morales falou em declarar o magistério profissão livre em resposta ao pedido de uma associação de pais de família com a qual ele se reuniu pela manhã.

O presidente também ratificou a recusa em oferecer um aumento maior e ordenou que sejam descontados dos salários dos manifestantes os dias não trabalhados.

Morales pediu aos pais de família que decidam o destino que se dará ao dinheiro proveniente destes descontos, para evitar uma situação semelhante à vivida no último ano, quando o então ministro da Educação, Félix Patzi, destinou recursos similares à compra de computadores.

- Respeito esse pedido de profissão livre. Isso decidirá o povo, como vocês democraticamente desejam, mediante um referendo. Tenho a obrigação de respeitar as normas. Cumprindo-as, podemos tratar de mudar este problema importante que é o tema da educação - disse Morales aos pais.

Dirigentes dos pais pediram ao presidente "mão de ferro" contra o magistério, porque essa classe teria se acostumado a "chantagear" o governo, disseram, por meio de paralisações para conseguir benefícios setoriais, "às custas da educação" de seus filhos.