Política salarial de Evo Morales é questionada em greves sindicais

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Agência AFP

LA PAZ - A política salarial do presidente esquerdista Evo Morales, proveniente dos movimentos sociais, foi fortemente criticada nesta quinta-feira por três poderosos sindicatos de professores e trabalhadores da saúde que estão em greve na Bolívia.

Os trabalhadores públicos da educação rural e urbana, que realizam separadamente uma greve de 24 horas, exigem do governo um aumento salarial superior aos 6% oferecidos pelo Poder Executivo, destacaram os dirigentes dos dois setores, Carlos Colque e Jaime Rocha.

Colque, líder dos professores rurais, afirmou que o movimento também pede a aprovação de uma lei de reforma educativa (em tramitação no Parlamento) e a revogação da Lei de Pensões que prejudica as aposentadorias.

Uma avaliação preliminar do primeiro dia de greve de 48 horas dos docentes da área rural teve uma adesão de 70%, disse o dirigente dos educadores.

Por sua vez, o dirigente Rocha afirmou que os 6% oferecidos pela administração governamental são insuficientes e que o aumento deve ser de no mínimo 20%.

Para aumentar a pressão, milhares de professores estatais urbanos caminharam nesta quinta-feira para exigir do Poder Executivo o imediato atendimento das demandas dos professores, enquanto ministros governamentais lembraram que o salário mínimo nacional já subiu 5%, para 525 bolivianos (65 dólares).

O dirigente trostkista dos professores de La Paz, José Luis Alvarez, afirmou que "continuaremos protestando até conseguir um aumento salarial justo e pela recuperação total de nossos hidrocarbonetos", que o Estado boliviano administra em sociedade com empresas privadas estrangeiras.

Por outro lado, os trabalhadores da saúde fortaleceram uma greve por tempo indeterminado iniciada na semana passada.

Em conseqüência da greve, muitos hospitais e policlínicas do serviço público, exceto os centros de emergência, estão fechados.

A medida se intensificou nesta quinta-feira com uma greve de fome de 40 membros desse setor sindical, informou o dirigente Peter Cazón.

Além das melhorias salariais de 20%, contra os 6% oferecidos pelo governo, "estamos pedindo a renúncia da ministra da Saúde (Nila Heredia), porque ela está despedindo os trabalhadores" que ocuparam violentamente na semana passada por algumas horas seu escritório.