Dirigente da Al Qaeda no Iraque era especialista em explosivos
Agência EFE
BAGDÁ - Abu Ayub Al-Masri, cuja morte foi anunciada nesta terça-feira pelo Governo iraquiano, era um especialista em explosivos que dirigia a ramificação da Al Qaeda no Iraque desde junho de 2006, quando substituiu Abu Musab al-Zarqawi, morto em um bombardeio aéreo.
Masri, também conhecido sob o pseudônimo de Abu Hamza al-Muhajer e supostamente de origem egípcia, foi treinado no Afeganistão e no Paquistão, colaborando com Zarqawi desde o começo da insurgência no Iraque.
Seu nome verdadeiro é um enigma, como vários outros detalhes de sua vida. A rede de televisão 'Al Arabiya' o identificava hoje como Youssef Dariri, sem dar detalhes que confirmassem a hipótese.
A rede também exibiu imagens pouco conhecidas nas quais se pode ver um homem de cerca de 30 anos, de feições angulosas, barba rala e óculos, gravadas em algum momento desconhecido no que parece ser uma caverna ou um esconderijo.
As poucas informações conhecidas sobre ele indicam que iniciou sua participação no terrorismo islâmico em 1982, dentro do grupo egípcio 'Al Jihad', que tinha assassinado o presidente egípcio Anwar Sadat em outubro do ano anterior.
Em 1999, foi para o Afeganistão e, após a invasão americana do Iraque, se dedicou a ajudar militantes estrangeiros a se infiltrarem no país.
Segundo fontes do Governo iraquiano, Masri, por cuja captura os Estados Unidos ofereciam US$ 5 milhões, esteve envolvido no desenvolvimento de cerca de 2 mil carros-bomba que mataram milhares de pessoas no Iraque nos últimos três anos.
Cinco dias depois da morte de Zarqawi, em 8 de junho de 2006, o braço iraquiano da Al Qaeda anunciou na internet que Masri tinha assumido a direção da organização.
Masri foi descrito pelo grupo como um 'irmão respeitável' com 'um passado de jihad e grandes conhecimentos'.
Em 13 de junho de 2006, apareceu o primeiro comunicado assinado por Masri em um site radical islamita.
O novo 'emir' disse que sua organização venceria 'os cruzados e os xiitas' e que a Guerra do Iraque seria entre 'os soldados do bem e os do mal'.
Estes últimos seriam 'os cruzados, os 'negacionistas' (xiitas) e os apóstatas', dizia a nota, que coincidiu com uma visita surpresa do presidente Bush a Bagdá.
Em 28 de setembro, Masri deu mais um passo ao instar os cientistas nucleares e engenheiros especialistas em explosivos a se unir à jihad para 'satisfazer suas ambições científicas'.
Em uma gravação de áudio divulgada na internet por ocasião do Ramadã, acrescentou que os acampamentos militares americanos eram os melhores campos de provas para que os especialistas experimentassem suas 'bombas não convencionais'.
- Especialistas em química, física, administração, eletrônica, informação e todas as especialidades, em particular os cientistas nucleares e especialistas em explosivos, lhes dizemos que temos uma necessidade imperiosa de vocês porque o campo da guerra santa satisfaz suas ambições científicas, disse.
Em 10 de novembro de 2006, uma mensagem sonora divulgada na internet, atribuída a Masri, assegurava que a 'jihad' não terminará até a explosão da Casa Branca.
- Juro por Deus que não descansaremos de nossa jihad até que tenhamos explodido a casa mais obscena, a chamada Casa Branca.
Além disso, se referiu às eleições legislativas americanas e à derrota republicana, que qualificou de 'passo no caminho certo'.
