Testamento de Pinochet só será revelado após esclarecimentos

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Agência EFE

SANTIAGO DO CHILE - O testamento do ex-ditador chileno Augusto Pinochet não será revelado até que a justiça esclareça a origem de sua fortuna, segundo determinação do juiz chileno Juan González, responsável pelo chamado 'caso Riggs'.

O documento, de três páginas, permanece guardado num cartório de Santiago. A informação está na edição de hoje do jornal chileno 'El Mercurio'.

Após a morte do ex-ditador, em 10 de dezembro de 2006, seus advogados de defesa haviam pedido o fim do embargo ordenado pela Justiça sobre seus bens, o que foi negado pelo juiz.

No entanto, os advogados de Pinochet, que faleceu aos 91 anos, recorreram da decisão na Corte de Apelações de Santiago. O tribunal deverá se pronunciar nos próximos dias.

O embargo proíbe a viúva e os filhos de Pinochet de vender ou ceder as propriedades que pertenceram ao general que governou o Chile entre 1973 e 1990.

Segundo dados do processo, Pinochet menciona em seu testamento US$ 2,5 milhões depositados no Banco do Chile e 138 milhões de pesos (US$ 260,3 milhões), estes no Bank Boston.

O próprio Pinochet tentou, em novembro de 2004, retirar o segundo montante, mas a ação foi impedida pelo juiz Sergio Muñoz, à época responsável pelo caso e atualmente membro da Corte Suprema.

O juiz González resolveu, após a solicitação dos advogados de Pinochet, que os bens do general permaneçam embargados até que se determine se sua origem é 'lícita ou ilícita'.

- A medida será mantida enquanto a investigação não terminar e até que se tenha certeza, a partir de uma sentença definitiva, sobre o domínio de tais fundos - diz a resolução.

A investigação sobre a origem da fortuna de Pinochet começou após a descoberta de contas secretas milionárias no Riggs Bank dos Estados Unidos e outros bancos do exterior. Segundo a Justiça, ele teria acumulado uma fortuna superior aos US$ 26 milhões.

No momento de sua morte, Pinochet estava sendo processado como autor de fraude tributária e uso de passaportes falsos, além de malversação de fundos públicos.