Mediador agrícola da OMC diz que EUA e UE precisam ceder

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REUTERS

GENEBRA - O negociador-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC) na área agrícola disse na segunda-feira que os Estados Unidos teriam de oferecer pelo menos um novo corte de 14 por cento em subsídios para que um acordo comercial na Rodada de Doha seja alcançado.

A União Européia, também sob pressão para fazer concessões nas negociações da OMC, teria de melhorar sua oferta de redução de tarifas de importação em bens agrícolas, outra parte politicamente bastante sensível da agenda, disse o embaixador da Nova Zelândia, Crawford Falconer.

Presidente das negociações agrícolas da OMC, Falconer divulgou um relatório de 28 páginas ressaltando onde estão as principais divergências na área e sugerindo possíveis soluções para acabar com essas diferenças.

Integrantes importantes da OMC estabeleceram o fim do ano como prazo final para concluir a Rodada de Doha de negociações para liberalização do comércio mundial, mas tal cronograma requer um consenso sobre um esboço antes que comece o recesso da OMC, no fim de julho.

Falconer afirmou que a oferta atual dos EUA de cortar os subsídios agrícolas em cerca de 22 bilhões de dólares por ano não era suficiente, mas que era improvável que Washington estivesse disposto a chegar a níveis demandados por alguns de seus parceiros comerciais, que alegam que os subsídios distorcem o comércio global.

- O centro de gravidade para o que está sendo discutido aqui para os EUA é certamente abaixo de 19 e acima de 13-14, disse.

A UE também teria de reduzir seu apoio ao setor agrícola em algo como 75 a 80 por cento dos números elevados que lhes foram permitidos dentro do último acordo comercial mundial, a Rodada do Uruguai, concluída em 1994.

Cortes nas atuais tarifas agrícolas mais altas teriam de estar entre os 60 por cento oferecidos pela UE e os 85 por cento defendidos pelos EUA, acrescentou.

Já o número de produtos considerados 'sensíveis', que estariam livres dos cortes, teria de ser limitado de 1 até 5 por cento das linhas de tarifas, abaixo dos 8 oficialmente oferecidos por Bruxelas.

Países em desenvolvimento, por sua vez, teriam de contribuir ao fazer cerca de 'dois terços' do que os países mais ricos querem fazer, disse.