Premier israelense é criticado por erros na invasão do Líbano
Agência EFE
JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, recebeu muitas críticas em razão dos erros por sua atuação durante a invasão do Líbano, que podem até causar sua saída do cargo.
Os resultados provisórios da investigação sobre a atuação de Olmert, do ministro da Defesa, Amir Peretz, e do general Dan Halutz, chefe das Forças Armadas à época, será divulgado na segunda, mas a imprensa local começou a revelar parte de seu conteúdo hoje.
A comissão presidida pelo juiz Eliezer Winograd, designada pelo Governo para investigar a atuação de Olmert por causa de protestos de reservistas da guerra e da oposição, afirma que ele atuou "erradamente e com pressa, deixando-se levar pelas decisões das autoridades militares'.
O Gabinete Nacional, sob seu comando, aprovou a ofensiva no sul do Líbano, em 12 de julho do ano passado, após a captura de dois soldados por milicianos libaneses que atravessaram a fronteira em uma operação que também custou a vida de outros oito combatentes.
Os soldados capturados, ambos reservistas, ainda estão em poder do Hisbolá apesar da grande ofensiva israelense, que deixou cerca de mil mortos no Líbano e mais de 150 em Israel, além de grandes perdas materiais nos dois países.
Sob a condição de anonimato, fontes próximas a Olmert asseguraram neste domingo que o primeiro-ministro, no cargo desde março do ano passado, não tem intenção de renunciar - algo que a Comissão também não exige por não ter poderes para isso.
O líder do Partido nacionalista Likud e ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, chefe da oposição parlamentar, começará neste domingo consultas com representantes de outras formações - entre elas o bloco pacifista Meretz - com vistas à formação de um novo Governo em caso de renúncia de Olmert, ou para uma antecipação das eleições.
Segundo o líder do Meretz, Iosi Beilin, o primeiro-ministro se verá obrigado a renunciar pela pressão da opinião pública após a divulgação do citado relatório - assim como ocorreu com a ex-primeira-ministra Golda Meir em 1973 por causa de uma investigação sobre a 'Guerra de Yom Kippur', apesar de não estar obrigada a fazê-lo.
Também são alvo de duras críticas Peretz, líder do Partido Trabalhista na coalizão de Governo, e o general Halutz, que renunciou e se encontra atualmente nos Estados Unidos.
Em uma primeira publicação de testemunhos dados por personalidades do Governo interrogadas pela Comissão, em março, teve especial importância a do veterano vice-primeiro-ministro Shimon Peres, que disse aos investigadores:
- Se tivesse dependido de mim, eu não teria investido nesta guerra.
A disputa durou de meados de julho até 14 de agosto, quando o Conselho de Segurança da ONU acertou um cessar-fogo que, supervisionado por uma força do organismo internacional e tropas do Exército libanês, está em vigor até o momento.
Sobre o ministro da Defesa Peretz, ex-secretário-geral da Confederação de Trabalhadores (Histadrut), os investigadores sustentam que ele carecia de experiência e se deixou levar pelo general Halutz.
O alto comando israelense desprezou a capacidade da milícia do Hisbolá, acreditando que venceria facilmente, apenas com bombardeios aéreos.
Segundo o conteúdo divulgado do relatório, Halutz também não deu muita importância à artilharia da guerrilha libanesa, que lançou aproximadamente 4.000 foguetes Katyusha contra a população civil do norte de Israel, região muito prejudicada durante os 34 dias da guerra.
