Incógnita sobre Castro marca preparativos para Dia do Trabalho em Cuba
Agência EFE
HAVANA - Enquanto Cuba acerta os últimos preparativos às mobilizações populares convocadas para 1º de maio, nas comemorações do Dia do Trabalho, crescem as especulações sobre uma possível aparição pública do presidente cubano, Fidel Castro, afastado de seu cargo há nove meses.
Ontem, altos funcionários do Governo de Havana evitaram confirmar se Castro reassumirá a Presidência de Cuba na próxima terça, conforme anunciado pelo governante da Bolívia, Evo Morales.
- Tenho certeza de que, em 1º de maio, o companheiro Fidel vai se integrar para seguir governando Cuba e América Latina, disse na sexta Morales, um dos mais importantes aliados de Havana.
Mais de seis milhões de cubanos estão convocados aos atos oficiais organizados para comemorar o Dia do Trabalho em todo o país.
- Será uma mobilização imprescindível, carregada de patriotismo e valor humano, afirmou no sábado o vice-presidente do Conselho de Ministros cubano, Otto Rivero.
Mas nem Rivero ou o ministro da Economia, José Luis Rodríguez, quiseram confirmar ontem se Castro reaparecerá em público ou fará uma mensagem pela televisão - outra hipótese surgida nos últimos dias em círculos políticos e diplomáticos na ilha.
Porém, ambos fizeram questão de serem otimistas quanto à recuperação do líder cubano, que delegou o poder a seu irmão mais novo Raúl, ministro das Forças Armadas, em 31 de julho de 2006. O motivo teria sido uma doença intestinal, declarada segredo de Estado.
Segundo Rivero, Castro está 'permanentemente' presente na atividade política do país e participa da tomada de decisões.
- Fidel não desapareceu, ele está lá permanentemente, participando das decisões, disse.
Na opinião do vice-presidente, as últimas imagens do líder cubano divulgadas pela imprensa da ilha na semana passada, durante uma reunião com uma delegação chinesa de alto nível, são um sinal 'muito importante e encorajador'.
As imagens mostram Castro de pé, com roupas esportivas e semblante melhor que em fotos anteriores, divulgadas durante seu período de recuperação.
- A melhora de Castro vai indo bem, mas requer o tempo solicitado pelos médicos e devemos respeitar o que for necessário neste caso, comentou o ministro da Economia.
- Todo mundo sabe que Fidel está lá, participando das principais decisões do país, mas é necessário cumprir o que tiver de ser cumprido. Se for possível, ele estará lá. Se não for possível, não estará, completou Rodríguez sobre uma possível aparição de Fidel no desfile convocado para terça na Praça da Revolução de Havana.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também falou sobre a recuperação de Castro diretamente de Barquisimeto, em seu país, onde abriu ontem a Cúpula da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).
- Fidel, how are you?, disse Chávez da tribuna da cúpula, afirmando estar convencido de que Fidel está 'grudado na televisão'
para assistir à reunião em Barquisimeto.
Durante o primeiro dia do encontro, o vice cubano, Carlos Lage, explicou que ele e chanceler do país, Felipe Pérez Roque, tiveram uma reunião de duas horas com Fidel Castro na sexta, em Havana, antes de viajar à Venezuela.
O vice-presidente cubano apontou que Castro se interessou especialmente pelo cumprimento dos acordos assinados com a Venezuela no marco de criação da Alba e os novos projetos que serão aprovados na reunião de Barquisimeto.
