Crise nuclear com a Coréia do Norte está prestes a ser resolvida

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Agência EFE

GENEBRA - O acordo assinado sobre a programa nuclear de Pyongyang durante as conversas entre Estados Unidos, China, Japão, Rússia e as duas Coréias levou o assunto a um estágio fase na qual a questão pode finalmente ser resolvida, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal suíço 'Le Temps', o diplomata diz estar confiante quanto ao cumprimento da promessa que a Coréia do Norte fez de interromper seu programa nuclear em troca de ajudas internacionais energéticas.

- Quando há um acordo entre as seis partes quanto a um código de conduta, pode-se dizer que o problema nuclear norte-coreano entrou numa fase na qual é possível lidar com ele, disse Ban.

Num acordo assinado em Pequim, no dia 13 de fevereiro, dentro das negociações multilaterais, Pyongyang comprometeu-se a desligar, em 60 dias, seu reator nuclear de Yongbyon, condição que ainda não foi cumprida.

- Acredito, mais ou menos, que tudo foi resolvido, disse o secretário-geral, acrescentando que 'agora que os norte-coreanos podem resgatar seus fundos, devem dar o primeiro passo para desnuclearizar a península coreana'.

Ban referiu-se aos US$ 25 milhões que a Coréia do Norte possui no Banco Delta Asia (BDA), em Macau, e que foram congelados pelos Estados Unidos por 19 meses sob a acusação de serem fruto de lavagem de dinheiro.

Em março, Washington descongelou os recursos, mas o regime de Pyongyang acredita que o problema ainda não foi resolvido, pois os fundos ainda não foram transferidos.

- Espero que os norte-coreanos respeitem totalmente seus compromissos, afirmou Ban.

Na entrevista ao jornal suíço, Ban também faz referência ao Conselho de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas. O secretário-geral da ONU reconhece que, até agora, a o órgão 'não foi capaz de corresponder às expectativas da comunidade internacional e superar os problemas da estrutura anterior'.

- Pedi enfaticamente aos países-membros (do órgão) e à alta comissária para os Direitos Humanos que o CDH complete seu processo de construção institucional até o fim de junho, disse o secretário-geral.

Em suas declarações ao 'Temps', Ban acrescentou que é preciso concluir o esboço do mecanismo pelo qual os Estados-membros da ONU serão submetidos a uma avaliação periódica sobre direitos humanos, processo pelo qual cada país deverá passar a cada três ou quatro anos.

O CDH celebrará sua segunda sessão do ano entre 11 e 18 de junho. Na ocasião, o Conselho vai concluir a definição dos mecanismos e instrumentos que disporá para realizar sua missão de fiscalizar o respeito aos direitos humanos no mundo.

Sobre o assunto, o secretário-geral da ONU disse que esta avaliação periódica e outros instrumentos com os quais o CDH contará "são mecanismos de controle muito fortes para avaliar objetivamente e de maneira prudente todos os aspectos da situação dos direitos humanos, inclusive os mais sombrios'.