Otan quer esclarecimento sobre intenção russa de se retirar de tratado
Agência EFE
OSLO - A Otan quer que a Rússia esclareça a amplitude, a data de entrada em vigor e as implicações de seu anúncio de uma moratória ao Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (FCE), informou nesta sexta-feira o porta-voz da organização, James Appathurai.
O porta-voz disse em entrevista coletiva que haverá uma discussão dentro da Otan e entre os membros da organização e Moscou para esclarecer as intenções da Rússia.
O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou hoje que 'foi uma ducha fria' ouvir na quinta-feira o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, dizer que 'haverá ou pode haver' uma suspensão do FCE, embora tenha acrescentado que este ponto 'não está claro'.
Lavrov se limitou a repetir as palavras de Putin na reunião do Conselho Otan-Rússia que ocorreu em Oslo, na quinta-feira, em paralelo a uma reunião informal de ministros de Assuntos Exteriores da organização, segundo Appathurai.
- Agora achamos que é necessário um maior esclarecimento sobre o assunto - acrescentou.
A Otan dá tanta importância ao FCE, que limita o desdobramento de forças e armas convencionais na Europa, que 'qualquer intenção de deixar o tratado preocupa', reiterou De Hoop Scheffer nesta sexta-feira, após o término da reunião da Otan em Oslo.
Appathurai expressou a 'preocupação' da Otan com o 'nível crescente de retórica em torno de temas-chave como o FCE, a defesa antimísseis ou a ampliação da Otan' com a Rússia.
Moscou acusou a Otan de buscar 'pretextos' para não ratificar o tratado adaptado assinado em 1999, enquanto multiplica suas bases nos antigos países do Pacto de Varsóvia e os Estados Unidos negociam com Polônia e República Tcheca a instalação de um escudo antimísseis.
A Otan exige, para ratificar o tratado, que a Rússia retire suas tropas da Geórgia e da região separatista moldávia de Transdniester, mas Moscou e a Otan discordam sobre a obrigatoriedade legal da medida.
De Hoop Scheffer reiterou que os membros da Otan sempre tiveram a ambição de ratificar o FCE com base no pleno cumprimento dos chamados 'compromissos de Istambul'.
Os compromissos datam da cúpula da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa realizada em 1999, em Istambul, no qual se adaptou o tratado assinado originalmente em 1990 para enfrentar a nova realidade que surgiu após a queda do Pacto de Varsóvia.
