Funcionários assinam carta dizendo que escândalo abala credibilidade

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Agência EFE

WASHINGTON - A liderança de Paul Wolfowitz no Banco Mundial (BM) foi abalada hoje depois que mais de 40 funcionários do órgão declararam que a credibilidade da política anticorrupção da instituição foi afetada pelo escândalo que atinge o 'ex-número dois' do Pentágono.

- Estamos profundamente preocupados com o impacto da atual crise na credibilidade e autoridade do Banco para falar em anticorrupção com Governos, grupos não-governamentais e doadores-, afirma uma carta enviada a Wolfowitz e ao Conselho Executivo do BM por quase 50 integrantes da equipe anticorrupção.

Wolfowitz protagoniza um escândalo de favoritismo por ter aprovado um generoso aumento salarial para sua namorada, a cidadã britânica de origem libanesa Shaha Ali Riza.

A carta foi assinada por funcionários com boa reputação no Banco Mundial, como Daniel Kaufmann, economista chileno que insistiu durante anos em que a redução da corrupção e a boa administração são necessárias para combater a pobreza.

- Kaufmann foi pioneiro na elaboração de indicadores de bom Governo, que permitem aos países verificar a eficácia de seus esforços-, disse Colin Bradford, analista do centro de estudos Brookings Institution e assessor de desenvolvimento durante a Presidência de Bill Clinton.

A carta dos profissionais do BM deixa claro que a credibilidade dos funcionários anticorrupção 'está abalada', diante dos clientes que questionam se o Banco pratica o que prega.

Os signatários concluem que na atual situação não é possível aplicar a estratégia de bom Governo e anticorrupção do Banco com credibilidade.

A estratégia é, em parte, obra de Wolfowitz. Logo que chegou ao Banco Mundial, o presidente disse que a corrupção é - a pior ameaça para a democracia desde o comunismo- e prometeu que a guerra contra a má administração de capitais seria um dos objetivos de seu mandato.

O plano anticorrupção - que incluiu o congelamento de empréstimos milionários a diferentes países - provocou tensões com o Conselho Executivo e desencadeou um processo de consultas com mais de 3 mil pessoas em 50 países antes da aprovação definitiva pelo conselho, o que aconteceu no dia 20 de março.

Para Bradford, o fato de Wolfowitz ter feito da campanha anticorrupção a marca de seu mandato transforma sua continuidade no cargo simplesmente 'absurda'.

O analista do Brookings Institution acredita que a renúncia de Wolfowitz é iminente e pode acontecer na próxima semana.

Em uma tentativa de manter o posto, o ex-subsecretário de Defesa americano deve comparecer segunda-feira ao Conselho Executivo, integrado por 24 diretores que representam os 185 membros do BM.

Além disso, um grupo de trabalho designado pelo conselho deve concluir em breve uma investigação para determinar se Wolfowitz violou o código de ética e as regras do Banco ao fixar as condições trabalhistas da namorada.

Os funcionários anticorrupção do BM pediram na carta que o conselho tome medidas claras e contundentes para resolver a crise, de modo que fique claro que o Banco está comprometido com os mais altos padrões de liderança, integridade e responsabilidade por suas ações.

Especialistas como Charles Kupchan, professor da Universidade de Georgetown, destacam que o escândalo sobre o salário de Riza serviu para trazer à tona problemas latentes, desde a entrada de Wolfowitz no BM em junho de 2005.

- Wolfowitz é o símbolo da Guerra do Iraque e do unilateralismo do atual Governo americano-, disse Kupchan, que afirma que, desde o início, o presidente ganhou muitas inimizades dentro do Banco devido a seu estilo.