Líderes latino-americanos defendem reformas econômicas e sociais
Agência EFE
SANTIAGO DO CHILE - A América Latina precisa de mais comércio, igualdade, inovação e consensos políticos, segundo os líderes políticos, empresariais e sociais que participam do Fórum Econômico Mundial, que termina nesta quinta-feira na capital chilena.
O fórum será encerrado nesta quinta-feira pelos presidentes do Brasil, Lula, e do Chile, Michelle Bachelet.
- Precisamos de avanços nas instituições e consenso na aplicação das políticas públicas, disse o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, ontem à noite, no plenário de abertura do evento.
Segundo o chileno, os dramas da região 'são os mesmos de sempre'. Entre eles, a pobreza que afeta 200 milhões de pessoas, o populismo, a corrupção e a desigualdade.
- Esta noite, 100 milhões de latino-americanos vão dormir com fome, ressaltou o secretário-geral da OEA.
Ele acrescentou que apesar de a deterioração ambiental não ser tão grave, ela avança mais na América Latina que em outras regiões. Por isso, 'é preciso um caminho claro, um rumo' para enfrentar os desafios latino-americanos.
Segundo Insulza, a desigualdade social não é um problema que dependa de tecnologia nem de inovação. Para ele, a região precisa de consensos para superar seus problemas e garantir a governabilidade.
O secretário-geral destacou que a região cresceu 5,3% no ano passado, mas o seu dilema é tornar o crescimento sustentável.
Já o presidente do Banco Interamericano (BID), Luis Moreno, disse que 'a macroeconomia vai bem', mas a América Latina precisa com urgência de políticas sociais.
Ele também afirmou que a infra-estrutura e a integração econômica "são as principais necessidades da região', onde, na sua opinião, "há grandes oportunidades para o trabalho conjunto entre os setores público e privado'.
Para o americano Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, 'a América Latina não está fazendo o suficiente'. Ele se queixou da falta de acordos de integração, apesar das reformas econômicas dos anos 90. Agora, apontou, falta energia para a segunda reforma, diante de um mundo globalizado.
Hakim acha difícil que 'ocorram mudanças dramáticas nos próximos anos'. Mas afirmou que recentemente nenhuma região mudou tanto quanto a América Latina nas áreas econômica e política.
O ministro da Fazenda chileno, Andrés Velasco, afirmou que a região aprendeu a enfrentar as crises e a crescer com estabilidade. Ele apontou três desafios: crescer com estabilidade, avançar na inovação tecnológica e garantir a justiça social.
- O desafio central é traduzir o crescimento econômico da região em bem-estar para seus habitantes, ressaltou.
O fórum 'O poder da agenda regional positiva' reúne mais de 400 líderes empresariais, governamentais, políticos e sociais. As conclusões serão publicadas no 'Consenso de Santiago'.
