Massacre não deve influenciar eleição de 2008 nos EUA

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REUTERS

WASHINGTON - O pior massacre na história moderna dos EUA deve ter pouco impacto na eleição presidencial de 2008, porque os principais pré-candidatos já defendem um controle de armas, mas têm pouco a ganhar enfatizando esse tema.

- A maioria dos principais candidatos tem um histórico de ser a favor do controle de armas - disse Robert Cottrol, professor de Direito da Universidade George Washington e especialista no tema. - Certamente isso é verdade para os três principais candidatos no Partido Democrata. E também é verdade para Rudy Giuliani e Mitt Romney no Partido Republicano.

Mas os candidatos devem se lembrar que a postura agressiva de Al Gore contra as armas foi um dos fatores que levaram à sua derrota para George W. Bush em 2000 em alguns Estados importantes.

Cerca de um terço dos lares dos EUA tem uma arma, segundo uma pesquisa feita em 2001 pelo governo.

Mesmo antes do massacre de 32 pessoas na universidade Virginia Tech, funcionários da Associação Nacional do Rifle, lobby pró-armas acostumado às políticas amistosas do governo Bush, já se diziam preocupados com os possíveis candidatos à sucessão dele.

Em resposta ao massacre universitário, os principais grupos de armas do país adotaram estratégias diversas. A Associação Nacional do Rifle manifestou pesar às famílias das vítimas e disse que só voltaria a se manifestar 'quando todos os fatos forem conhecidos'.

O segundo maior grupo, o Donos de Armas da América, partiu para a ofensiva e argumentou que, se os alunos da universidade fossem autorizados a portar armas, eles teriam como conter o autor do massacre.

- O mais recente incidente com tiros na Virginia Tech exige um fim imediato da lei de zonas livres de armas, que deixa as escolas da nação à mercê de malucos - disse Larry Pratt, diretor da entidade.

- É irresponsavelmente perigoso dizer aos cidadãos que eles não podem ter armas nas escolas.

No Congresso, controlado por democratas, já se fala em aprovar leis mais rígidas sobre armas, mas não está claro se os parlamentares tomariam alguma medida antes da eleição presidencial.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, pediu paciência.

- Espero que não haja pressa para fazer nada. Precisamos respirar fundo - afirmou.

Cottrol acha que os candidatos só vão abordar a questão do controle de armas 'se perceberem que isso é politicamente positivo, o que até agora não ocorreu'.

Entre os democratas, John Edwards defende travas de gatilhos e mais regras para exibições de armas, enquanto Barack Obama votou contra uma lei que proibiria ações judiciais contra donos de armas, segundo o site OnTheIssues.org. Já Hillary Clinton recebeu nota F, a pior de todas, da Donos de Armas da América.

Os principais candidatos republicanos também defendiam algum tipo de controle, mas antes do massacre de Virgínia vinham atenuando sua posição. Giuliani disse à Fox News que leis adequadas para Nova York podem não servir para zonas rurais.

Romney, que recentemente aderiu à Associação Nacional do Rifle, dizia ter sido caçador a vida inteira, declaração que foi ridicularizada depois que a agência Associated Press descobrir que ele nunca havia recebido uma licença de caça. O político acabou tendo de admitir que só caçara duas vezes na vida.