Chávez lembra triunfo sobre golpe de 2002 em discurso
Agência EFE
CARACAS - Milhares de seguidores do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, lembraram hoje, junto ao Palácio de Miraflores, sede do Governo, o triunfo alcançado há cinco anos frente aos golpistas que derrubaram o chefe de Estado por dois dias.
No dia 13 de abril de 2002, Chávez retornou triunfalmente a Caracas depois que tropas leais e milhares de 'revolucionários'
saíram dos bairros pobres e tomaram posições estratégicas da capital, provocando o fracasso do golpe dado em 11 de abril.
- Naquele 11 de abril, a matilha reacionária e fascista da oligarquia, atuando por mandato do Governo imperialista dos EUA, veio aqui por mim, para me assassinar - disse Chávez no discurso a seus simpatizantes.
O governante lembrou as vítimas daqueles dias e disse que, sem o sacrifício delas, não teria sido possível uma vitória tão contundente sobre as forças 'fascistas', que estiveram comandadas pelo empresário Pedro Carmona, atualmente refugiado na Colômbia.
- A investida fascista de 11 de abril foi, para nós, o que a investida imperialista da Praia de Girón foi para os cubanos, o chicote contra-revolucionário - disse Chávez, para quem o golpe foi positivo para o avanço do processo revolucionário na Venezuela.
O governante reiterou que os EUA 'organizaram, financiaram e dirigiram' o golpe, parte integrante de uma estratégia elaborada há cerca de 15 anos em Washington, na qual também se enquadra a invasão ao Iraque, cujo real objetivo, destacou, é a tomada do controle dos recursos petroleiros do mundo.
Chávez disse que, por isso, 'os atos terroristas de 11 de setembro nos EUA foram um presente para o presidente (George W.) Bush, porque lhe permitiu lançar o plano preparado pela elite política, militar e econômica' de seu país.
Durante o discurso, o líder venezuelano pediu a seus seguidores que 'não baixem a guarda'. Também assegurou que os EUA não vão recuar em seus esforços para derrubar o Governo revolucionário venezuelano.
- Os EUA estão agora numa situação mais difícil que há cinco anos e, pelo contrário, a Venezuela está muito mais apoiada internacionalmente, sobretudo na América Latina - disse o governante.
- Na época, só Cuba e Venezuela davam a cara por seus povos. Mas agora podemos ver que nunca a Venezuela esteve tão apoiada por países e povos deste continente - declarou Chávez.
O chefe de Estado acrescentou que esse apoio continental ficará refletido na chegada de presidentes sul-americanos à cúpula energética da próxima semana na Ilha de Margarita.
Por outro lado, insistiu na importância de ser fundado o Partido Unido Socialista da Venezuela, para que sirva de plataforma para o Governo transformar a sociedade e libertar-se dos padrões de consumo neoliberais.
Chávez também atacou a corrupção e a insegurança, e afirmou que os exemplos de honestidade e desprendimento devem partir daqueles que estão à frente dos órgãos do Estado.
- Não devemos aproveitar os cargos para enriquecer, favorecer parentes ou traficar influências - disse o presidente.
O governante venezuelano chegou a afirmar que 'a corrupção é uma ameaça mais grave inclusive que a dos EUA' para o futuro da revolução.
O golpe de 2002 contou com o apoio de militares de alta categoria, empresários e outros setores da sociedade.
