Clima de tranqüilidade marca as eleições presidenciais no Timor-Leste
Agência EFE
DÍLI - Depois de quase um ano de instabilidade política, os timorenses compareceram nesta segunda-feira às urnas em um ambiente de tranqüilidade para escolher novo presidente, o segundo desde que o país conquistou sua independência, em 2002.
Dos oito principais candidatos à chefia de Estado, o atual primeiro-ministro e Prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta, aparece como o favorito.
O principal destaque da jornada eleitoral foi a ausência de incidentes violentos tanto em Díli, a capital, como no resto do país, segundo confirmou aos jornalistas a missão da Polícia da ONU (UNPOL), encarregada de garantir a segurança durante o processo.
As mesmas fontes asseguraram que houve um grande comparecimento de eleitores para decidir quem será o presidente da ex-colônia portuguesa durante os próximos cinco anos.
Ramos Horta foi um dos candidatos que escolheu votar logo no começo da manhã, em uma escola do distrito de Meti Aut.
- Ganhará o povo, seja qual for o resultado, e ganhará a democracia se todo mundo respeitar os resultados, disse o prêmio Nobel da Paz de 1996, que se candidatou como independente.
Pouco depois aparecia para votar o seu rival, Francisco 'Lu-Olo'
Guterres, presidente da Frente Revolucionária do Timor-Leste (Fretilin) e candidato à Presidência por esse histórico partido que liderou a luta pela independência e ostenta a maioria no Parlamento.
Ramos Horta aproveitou para acusar alguns militantes do Fretilin de fazer uma campanha 'porta a porta' para intimidar os eleitores e influir em seus votos.
As acusações foram rechaçadas hoje pelo vice-secretário-geral do Fretilin, José Manuel Fernandes, que afirmou que esta era uma tentativa de Ramos Horta de diminuir os votos de Guterres.
Fernandes lembrou que o ex-primeiro-ministro e secretário-geral do Fretilin, Mari Alkatiri, pediu durante toda a campanha aos membros de todos os partidos que evitassem a violência política.
Em Díli também votou o presidente do país, Xanana Gusmão, que após deixar a Presidência pretende se transformar no novo primeiro-ministro, caso vença as próximas eleições legislativas, previstas para junho ou julho.
A Comissão Eleitoral Nacional deve anunciar o resultado oficial no final de semana, embora ainda não haja uma data estabelecida.
As eleições presidenciais são encaradas como um duelo entre Ramos Horta e Guterres, embora exista a possibilidade de segundo turno, que acontecerá caso o mais votado não obtenha mais de 50% dos votos.
Segundo os analistas, o fato de oito candidatos terem se apresentado à Presidência indica um novo turno entre os dois mais votados dentro de 30 dias.
O pleito também serve como um teste político para os outros seis candidatos: Fernando de Araujo, do Partido Democrático; Francisco Xavier do Amaral, da Associação Social Democrática Timorense; Lucia Lobato, do Partido Social Democrático; João Carrascalao, da União Democrática Timorense; Avelino Coelho da Silva, do Partido Socialista Timorense, e Manuel Tilman, da União dos Filhos Heróis das Montanhas de Timor.
Cerca de 700 colégios eleitorais encerraram seus trabalhos às 16h (04h, em Brasília), após nove horas abertos e depois de atender aos cerca de 500 mil eleitores convocados em todo o país.
Além da UNPOL, a ordem pública ficou sob responsabilidade das tropas de Austrália e Nova Zelândia postadas no país após a onda de violência ocorrida em Díli em meados de ano passado.
As eleições foram supervisionadas por 1.900 observadores nacionais e cerca de 200 internacionais, liderados por uma missão da União Européia.
O vencedor destas eleições presidirá um dos países mais pobres do mundo, e que ainda não superou as feridas de 2006, quando a expulsão de cerca de 600 militares e policiais gerou uma espiral de violência que esteve a ponto de afundar o país em uma guerra civil.
A crise evidenciou também a falta de sintonia entre Gusmão e o então primeiro-ministro, Mari Alkatiri, que renunciou em conseqüência desses fatos e foi substituído por Ramos Horta.
