Tiroteios levam pânico à população do campo de refugiados de Jenin
Agência JB
RAMALA - Milicianos palestinos e soldados israelenses protagonizaram nesta quinta-feira intensos tiroteios no campo de refugiados de Jenin após a explosão de uma bomba à passagem de um jipe militar, mas sem que nenhum dos bandos informasse sobre vítimas.
A população do campo lembra hoje o quarto aniversário da invasão israelense de 2003, durante a operação 'escudo de defesa', lançada pelo Exército israelense em resposta a uma série de ataques suicidas em cidades de Israel. No incidente, dezenas de civis e milicianos morreram e muitas casas acabaram destruídas.
O ataque contra o jipe militar foi atribuído às Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, filiadas ao Fatah. Este último grupo e os islamitas do Hamas formam o novo Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), cujo primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, se reservou o direito a resistir à ocupação israelense na Cisjordânia ao assumir o poder, em março passado, à frente da coalizão.
Um conhecido chefe das Brigadas, Zakaria Zubaidi, assumiu a responsabilidade pela carga explosiva ativada durante a passagem do jipe israelense e pelos disparos contra um de seus soldados, embora sem conseqüências em nenhum dos casos.
O miliciano disse a jornalistas em Jenin que seus companheiros continuarão os ataques contra o Exército de ocupação.
- Não haverá calma entre nosso grupo e o Exército, embora Abbas diga isso. - afirmou.
O ministro da Informação do Governo palestino, Mustafá Barghouti, informou ontem de um plano de segurança de 100 dias para restabelecer a ordem e a lei nas ruas palestinas com a participação de um grande número de homens da ANP, o que significa que poderiam impedir que operem organizações irregulares como a de Zubaidi.
A resistência palestina, comentou Zubaidi, 'surgiu para concretizar objetivos políticos para os palestinos, não para conseguir um cessar-fogo'.
- As conversas para um cessar-fogo carecem de seriedade, pois não vemos nenhum processo político no horizonte que possa assegurar os direitos dos palestinos. - afirmou.
- Mas infelizmente, a situação política interna entre os palestinos também não é clara. - disse em referência às divergências entre seu movimento nacionalista Fatah e os islamitas do Hamas.
-Isso ajuda Israel a evitar uma solução política para o conflito. - completou.
Na manhã desta quinta-feira, fontes militares da detenção de 20 militantes palestinos de diversas facções na Cisjordânia e de um miliciano ferido num confronto na cidade de Nablus, vizinha a Jenin.
