Polícia britânica acusa três muçulmanos por atentados em Londres

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Agência EFE

LONDRES - Três homens foram acusados nesta quinta feira por envolvimento nos atentados que aconteceram em Londres no dia 7 de julho de 2005 que mataram 56 pessoas e feriram outras 700, informou a Scotland Yard, responsável pelo policiamento da região metropolitana londrina.

Os homens, todos muçulmanos, foram detidos em março deste ano acusados de conspirar, entre 1º de novembro de 2004 e 29 de junho de 2005, com os autores dos atentados, que morreram quando as bombas atadas a seus corpos explodiram.

Segundo a Promotoria, os três homens, primeiros suspeitos do caso, participaram de trabalhos de 'reconhecimento e planejamento para conspirar com os principais responsáveis pelos ataques de 7 de julho'.

Os supostos terroristas são Mohammed Shakil, de 30 anos; Waheed Ali, conhecido também como Shipon Ullah, de 23, e Sadeer Saleem, de 26, todos procedentes de Leeds, cidade do norte da Inglaterra na qual viviam três dos autores do massacre.

Shakil e Ali foram detidos em 22 de março no aeroporto de Manchester (norte da Inglaterra) quando tentavam embarcar em um avião com destino ao Paquistão, enquanto Saleem foi preso em uma casa em Leeds.

Os acusados, capturados em uma operação conjunta dos serviços secretos britânicos com a Polícia, comparecerão no próximo sábado ao Tribunal de Westminster, no centro de Londres.

Em entrevista coletiva, o subcomissário Peter Clarke, chefe da brigada antiterrorista da Scotland Yard, explicou hoje que as acusações foram apresentadas formalmente contra os três indivíduos após '21 meses de intensas investigações'.

- Desde os ataques, a Polícia tomou mais de 15 mil declarações e seguiu 19 mil pistas na busca de supostos colaboradores dos terroristas - disse Clarke.

Mas 'a investigação não acabou. Acredito piamente que existe mais gente com conhecimento por trás dos atentados de 7 de julho e que não partilhou informações conosco. Na verdade, não acho, tenho toda a certeza - defendeu.

Clarke não quis divulgar detalhes das investigações, que definiu como 'um quebra-cabeças de milhares de peças', mas destacou que 'é muito provável que, em seu devido momento, mais detenções ocorram'.

Além disso, o subcomissário pediu às pessoas que saibam algo sobre os atentados que colaborem com as forças de segurança: 'As vítimas dos atentados e que se transformarão em vítimas do terrorismo no futuro merecem a cooperação e o apoio de vocês'.

O chefe da brigada antiterrorista da Scotland Yard admitiu que a acusação formulada contra os três suspeitos 'terá impacto em muita gente'.

- Para uns, os depoimentos dos acusados trarão horríveis lembranças daquele dia terrível. Para outros, será um certo alívio por, após tanto tempo, haver avanços visíveis em uma investigação que deve ser mantida em segredo - afirmou.

Os terroristas, todos britânicos (três de origem paquistanesa e um de procedência jamaicana), atacaram na manhã de 7 julho de 2005 três vagões do Metrô de Londres e um ônibus urbano.

Mohammed Sidique Khan, de 30 anos; Shehzad Tanweer, de 22, e Jermine Lindsay, de 19 anos e único implicado de origem jamaicana, detonaram as 'mochilas-bomba' em três vagões do Metrô.

Hasib Hussain, de 18 anos, detonou a quarta bomba em um ônibus, quando o veículo trafegava próximo a Tavistock Square, perto do Museu Britânico.

Um relatório oficial liderado pelo Governo do Reino Unido concluiu no ano passado que os envolvidos na tragédia continuavam livres e que, seguramente, havia conexões com a rede terrorista Al Qaeda, que chegou a reivindicar os ataques na Internet.