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FMI descarta recessão econômica nos Estados Unidos

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Agência EFE

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) afastou nesta quinta-feira os rumores de uma possível desaceleração da economia americana, apesar das turbulências que afetam o mercado imobiliário do país.

- Não achamos que os Estados Unidos possam entrar em recessão - disse em entrevista coletiva Simon Johnson, o novo economista-chefe do FMI.

Além disso, a instituição fez previsões para um crescimento econômico dos EUA.

A possibilidade de os problemas no mercado de imóveis atingirem a economia americana foi mencionada pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) Alan Greenspan.

Johnson defendeu que a economia dos Estados Unidos atravessa uma correção de 'metade de ciclo' econômico e que seu crescimento atingirá o 'nível potencial' - ponto de equilíbrio em que não há inflação -, que atualmente foi tachado pelo FMI em 3% ao ano.

O economista não divulgou números mais exatos para não esvaziar o conteúdo de outra entrevista coletiva prevista para a próxima quarta-feira, na qual o Fundo divulgará suas previsões de crescimento por países.

No entanto, Johson aproveitou a ocasião para transmitir uma mensagem de otimismo frente à incerteza sobre a economia americana que abalou os mercados financeiros há algumas semanas.

Um dos fatores que alimentou o temor foi Greenspan, um peso pesado da análise econômica que, após 18 anos à frente do Fed, deixou o cargo. O especialista disse que as chances de que os EUA entrem em recessão são de 30%.

O fantasma que persegue a economia americana atinge o mercado imobiliário, que passa por uma crise há pouco mais de um ano, quando a escalada vertiginosa dos preços terminou.

Os níveis de inadimplência e de execução de hipotecas aumentaram nos últimos meses, ao mesmo tempo em que inúmeras empresas que se dedicavam a estender empréstimos de risco a pessoas que necessitavam de crédito tiveram de fechar as portas.

Mesmo assim, Johnson enfatizou que o FMI não acredita que os problemas do setor de construção de imóveis tenham se estendido ao resto da economia, como também argumentou o sucessor de Greenspan à frente do Fed, Ben Bernanke.

- Embora haja problemas em um setor e em algumas regiões, a economia americana é muito saudável - disse Johnson.

Em 2006, a maior economia do mundo cresceu 3,3%, mas deu sinais de fraqueza no final do ano.

O Federal Reserve acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) do país aumentará entre 2,5% e 3% este ano, e considera possível que haja um maior crescimento econômico já no segundo semestre, caso tudo dê certo.

Até agora, o aquecimento da economia americana, que corresponde a um terço do PIB mundial, medido a preços de mercado, teve pouco impacto no resto do planeta, devido à desaceleração do setor imobiliário, informou o Fundo.

Johnson destacou que a importação de insumos para a construção 'é bastante limitada'. Segundo ele, foi por isso que a crise do setor não resultou em uma queda na compra de bens de outros países.

- Terá um pouco de impacto no Canadá e México, mas não no resto do mundo - disse.

O FMI acredita que a maioria dos países poderá manter altos níveis de crescimento caso as previsões pessimistas para os EUA se confirmarem e a desaceleração americana for moderada, informou em um dos capítulos analíticos de seu relatório semestral 'Previsões Econômicas Mundiais', divulgado na noite desta quarta-feira.

No entanto, a instituição não descartou que a lentidão que atinge o mercado imobiliário americano contagie o consumo e o investimento empresarial interno, apesar dessa situação ainda não ter ocorrido.

Essa perspectiva prejudicaria especialmente a América Latina e alguns países industrializados que mantêm relações econômicas mais estreitas com os Estados Unidos e que sentiriam o golpe de forma praticamente imediata, disse o FMI.

Na prática, uma redução de um ponto percentual no crescimento anual dos Estados Unidos se traduziria em uma queda de quatro décimos no PIB do México e do Canadá, e de dois décimos na América Latina em geral.

No entanto, seus efeitos no resto do mundo seriam menores do que normalmente se pensa, segundo Johnson, que leva em consideração o bom andamento das economias asiáticas e da Europa.