Fidel escreve novo artigo, mas evita falar sobre seu estado de saúde

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Agência EFE

HAVANA - O líder cubano Fidel Castro escreveu um artigo para o jornal oficial 'Granma', no qual falou sobre assuntos internacionais, mas não fez referência a seu estado de saúde, e nem à situação interna da ilha.

Fidel, que em agosto completará 81 anos, se recupera há oito meses de uma doença mantida em sigilo, e que obrigou o líder da Revolução Cubana a transferir provisoriamente o poder a seu irmão Raúl Castro, ministro da Defesa cubano, em 31 de julho de 2006.

Desde então, as autoridades do país evitam fazer comentários sobre o estado de saúde do líder cubano. Nas últimas semanas, no entanto, aumentaram os rumores de que Fidel poderia reaparecer em público.

O artigo, publicado no dia 29 de março, no jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, traz críticas à produção de biocombustíveis feitos a base de alimentos e à política dos Estados Unidos, e contribuiu para aumentar as especulações sobre sua melhoria.

Nesta quarta-feira, o líder voltou a falar sobre o tema do etanol, em um texto chamado 'A internacionalização do genocídio'. Desta vez, no entanto, fez referência à crise entre Londres e Teerã, pelo caso dos 15 militares britânicos detidos há 13 dias em águas do Golfo Pérsico pelas autoridades iranianas, que os acusam de ter invadido seu território.

Para alguns analistas ocidentais, os dois artigos de Fidel indicam um lento retorno do dirigente cubano às atividades políticas.

Outros especialistas, no entanto, acreditam que o líder poderia estar indicando à população que desempenhará um novo papel no país, mais centrado em assuntos internacionais do que em temas domésticos.

"Os dois artigos tratam de aspectos internacionais, mas não fazem referência à situação real que Cuba vive atualmente. É possível que ele siga essa linha no futuro, ocupando-se mais de temas mundiais', disse um analista europeu.

No artigo desta quarta-feira, Fidel afirma que 'o caso da detenção dos soldados ingleses em águas jurisdicionais do Irã parece uma provocação exatamente igual à dos chamados 'Irmãos ao Resgate' (organização de oposição ao regime cubano com sede em Miami)'.

- Na ocasião, a ação defensiva de Cuba, absolutamente legítima, serviu de pretexto ao Governo dos EUA para promulgar a famosa Lei Helms-Burton, que viola a soberania de outros países - acrescentou.

O ataque a dois aviões civis do grupo 'Irmãos ao Resgate', que foram derrubados em 24 de fevereiro de 1996, provocou um endurecimento do bloqueio econômico e comercial de Washington contra a ilha. A queda matou quatro membros da organização de oposição.

Cuba afirma que as aeronaves voavam sobre suas águas jurisdicionais, enquanto os Estados Unidos sustentam que estavam em águas internacionais.

Fidel alertou também para a possibilidade de 'uma nova guerra, que teria como objetivo assegurar o fornecimento de gás e petróleo, e colocaria a espécie humana à beira do holocausto total'.

O líder cubano criticou as conclusões sobre o uso do etanol decorrentes do recente encontro entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush.

"Não é minha intenção criticar o Brasil, nem me meter em assuntos relacionados com a política interna deste grande país', esclareceu Fidel.

O líder cubano não aparece em público desde 26 de julho. Suas últimas imagens foram transmitidas pela televisão local no dia 30 de janeiro deste ano.

Em 27 de fevereiro, Fidel conversou por 32 minutos com o governante venezuelano, Hugo Chávez, no programa 'Alô Presidente', na mais longa conversa divulgada desde que se afastou do poder, e na qual demonstrou que continuava a par dos assuntos internacionais.

Em meados de março, o jornal colombiano 'El Tiempo' publicou uma fotografia de Castro, de pé, vestido com roupa esportiva, conversando com o escritor Gabriel García Márquez.