Corte condena servo-bósnio a 15 anos de prisão por estupro e tortura
Agência EFE
BRUXELAS - O Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) condenou hoje o ex-comandante servo-bósnio da Polícia Militar Dragan Zelenovic a 15 anos de prisão por estupro e tortura de mulheres muçulmanas na cidade bósnia de Foca, em 1992.
Zelenovic foi apresentado ao TPII em 10 de junho de 2006 e se declarou culpado em 17 de janeiro passado por sete acusações de tortura e estupro de mulheres muçulmanas, após a tomada de Foca pelas forças sérvias em abril de 1992.
As mulheres foram detidas em diversos lugares da cidade, onde foram submetidas a torturas e estupros entre julho e outubro de 1992, com objetivo, segundo a acusação, de descobrir a localização de homens muçulmanos perseguidos.
A corte, com sede em Haia, considerou Zelenovic culpado de nove estupros, oito dos quais também envolveram tortura.
Segundo a sentença, o militar participou de dois estupros como co-autor, um deles com tortura, e colaborou em outro episódio de tortura e estupro, que também ajudou a encobrir.
Quatro dos estupros dos quais participou foram cometidos em grupo, junto a três ou mais cúmplices, e em um dos casos em que colaborou e acobertou a vítima foi violada por pelo menos dez soldados.
O tribunal destacou a gravidade dos crimes cometidos por Zelenovic e determinou que as vítimas 'sofreram a indescritível dor, a indignidade e a humilhação de serem estupradas repetidamente, sem saber se sobreviveriam a essa terrível experiência'.
A sentença acrescenta que 'as cicatrizes dos abusos sexuais são profundas e pode ser que nunca sejam curadas'.
A corte levou em conta numerosas circunstâncias atenuantes, como a admissão dos crimes pelo acusado e seu compromisso de colaboração com a Promotoria, à qual forneceu evidências, mas destacou que 'em nenhum caso diminuem a gravidade' das acusações.
