Democratas rejeitam idéia de antecipar data de audiência de Gonzales
Agência EFE
WASHINGTON - A liderança democrata do Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira a idéia da Casa Branca de antecipar para a próxima semana a audiência na qual o secretário de Justiça, Alberto Gonzales, deve explicar a demissão de oito procuradores.
O presidente do Comitê Judicial do Senado, o democrata Patrick Leahy, afirmou hoje que os democratas ofereceram várias alternativas a Gonzales e que ele mesmo escolheu a data do dia 17 de abril.
- Todos coordenamos nossos horários para esta audiência e a data não mudará - declarou Leahy.
O senador respondeu assim à porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, que afirmou hoje que preferem que Gonzales compareça ao Congresso 'mais cedo que tarde' para esclarecer de uma vez o assunto.
Segundo a oposição democrata, as demissões tiveram motivações políticas. No entanto, o Governo afirmou que as mudanças aconteceram por fraco desempenho no trabalho, e por isto convocaram audiências para determinar as razões das demissões, anunciadas em dezembro.
O Departamento da Justiça enviou ao Congresso mais de 3.000 documentos, entre e-mails e outras correspondências internas, nas quais detalha a tomada de decisões sobre os procuradores.
No domingo, o 'número dois' da oposição no Senado, o senador democrata Dick Durbin, disse que a Casa Branca primeiro resistiu ao comparecimento de Gonzales ao Congresso, mas agora quer rapidez no processo.
Em um programa dominical da rede 'ABC', o conselheiro da Casa Branca Dan Barlett também sugeriu a antecipação da data para a próxima semana, para revelar todos os fatos sobre as demissões.
Perino reiterou nesta segunda esta solicitação ao dizer que, desta forma o assunto seria solucionado de forma mais rápida.
A porta-voz da Casa Branca negou que a pressa se deva ao testemunho sob juramento dado na última quinta por Kyle Sampson, ex-chefe de pessoal de Gonzales, que renunciou por causa do escândalo.
Em seu testemunho, Sampson contradisse algumas das declarações de Gonzales no sentido de que não esteve diretamente envolvido na decisão de demitir os oito procuradores.
- Foi uma combinação de fatores. (Isto) vem se arrastando durante várias semanas, e aumentou nas duas últimas semanas - o que faz com que tanto Gonzales como a Casa Branca desejem colocar um ponto final no assunto, declarou Perino.
Por outro lado, Perino afirmou que a Casa Branca mantém sua oferta de que Karl Rove, o principal assessor político do presidente George W. Bush, e a ex-assessora legal, Harriet Miers, sejam entrevistados por membros do Congresso.
A oposição democrata rejeitou esta oferta, pois as entrevistas não seriam sob juramento.
- Não há acusações críveis de que foi feito algo indevido (com relação aos procuradores). Já o procurador-geral gostaria de ir ao Congresso e responder a todas suas perguntas, para continuar com seu trabalho' à frente do Departamento de Justiça - afirmou Perino.
Durante o recesso legislativo, os congressistas programaram reuniões com vários membros do Departamento de Justiça para preparar a audiência de Gonzales.
O procurador-geral conta com o apoio da Casa Branca e disse em cada fórum público que não renunciará a seu cargo.
