Gonzales diz que não renuncia por escândalo de procuradores
Agência EFE
WASHINGTON - O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Alberto Gonzales, reiterou nesta quinta-feira que não vai renunciar devido ao escândalo sobre a demissão de oito procuradores, e assegurou que nenhum deles nos EUA foi dispensado 'por razões impróprias'.
Gonzales fez as declarações pouco antes do Comitê Judicial do Senado autorizar a intimação de altos funcionários da Casa Branca relacionados ao escândalo.
A votação das intimações foi feita um dia após a autorização por parte do Comitê Judicial da Câmara de Deputados, embora até o momento nenhum dos dois comitês tenha emitido nenhum dos documentos.
Em um ato da organização Project Safe Childhood, dedicada à proteção da infância, Gonzales disse que estava 'comprometido a colaborar com o Congresso' para assegurar que tenham a informação necessária para determinar o que aconteceu nesse caso.
Na terça-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush, ofereceu a possibilidade ao Congresso de que seu assessor político, Karl Rove, e sua ex-assessora jurídica, Harriet Miers, assim como seus ajudantes, falassem sobre o caso, mas a portas fechadas e extra-oficialmente.
Os democratas consideraram a oferta inaceitável, e reivindicam que os funcionários testemunhem sob juramento.
Gonzales também lembrou que o líder americano tem o poder e a autoridade para nomear e demitir os procuradores do país, e destacou que trabalhará com o Congresso 'voluntariamente'.
- Nenhum procurador foi demitido por razões impróprias. Essa é a mensagem que vou apresentar perante o Congresso americano - disse Bush.
A autorização para intimações servirá para 'reforçar nossa intenção de chegar até o fundo do assunto', disse o senador democrata por Nova York Charles Schummery, reforçando que, por enquanto, só autorizaram 'a possibilidade (de realizar intimações)', mas não as emitiram.
O senador republicano Arlen Specter 'recomendou' a seus companheiros de partido e à oposição que não seja estabelecido um "confronto constitucional'.
O escândalo em torno das demissões afetou, principalmente, o secretário de Justiça, um colaborador próximo a Bush e para quem o presidente ligou em manifestação de apoio.
A demissão dos procuradores aconteceu em dezembro e tomou forma de escândalo quando se soube que funcionários do Departamento de Justiça e da Casa Branca planejaram com detalhe sua saída.
O ex-prefeito de Nova York e pré-candidato republicano à Presidência dos EUA, Rudolph Giuliani, saiu hoje em defesa de Gonzales, e disse que se deveria conceder 'o benefício da dúvida' ao secretário.
O ex-vereador popular lembrou que o próprio Bush tomou a defesa de Gonzales para si, o que indicaria que o secretário de Justiça é um homem 'honorável' e 'decente'.
- Deveríamos dar uma oportunidade para que ele se explique - ressaltou Giuliani.
A rede de televisão americana 'CBS' assegurou que Gonzales fará, na próxima semana, uma viagem pelo país para visitar todos os procuradores federais possíveis e que, inclusive, vai lhes pedir perdão pela forma como lidou com a situação.
De acordo com a 'CBS', o secretário de Justiça começará sua "viagem' por Saint Louis, no Missouri.
Por enquanto, Gonzales já começou a limpar sua imagem internamente na quarta-feira, quando - segundo a cadeia 'ABC' - realizou uma reunião de trabalho com vários senadores republicanos, como John Coryn, em uma tentativa de satisfazer alguns de seus correligionários insatisfeitos com a situação.
