Irã diz que filme de Hollywood é 'guerra psicológica'

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REUTERS

TEERÃ - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou algumas grandes potências, na quarta-feira, de travar guerra psicológica contra o Irã, dizendo que criaram um filme que tem por objetivo retratar os iranianos como selvagens.

Ahmadinejad não identificou o filme em questão, mas suas declarações aparentemente fazem referência ao blockbuster de Hollywood '300', que retrata uma batalha entre gregos e persas ocorrida no ano 480 a.C. O filme vem liderando as bilheterias nos Estados Unidos e Ásia.

Muitos iranianos estão vendo '300' como parte de uma campanha mais ampla para vilipendiar a República Islâmica, atolada num impasse com o Ocidente em função de seu programa nuclear. O Ocidente acusa o Irã de querer produzir armas nucleares. Teerã nega a acusação.

'Hoje estão tentando interferir com a história, fazendo um filme e fazendo a imagem do Irã parecer selvagem', disse Ahmadinejad em discurso televisionado para marcar o início do ano novo iraniano. Ele disse que a campanha contra o Irã não terá sucesso.

Autoridades, imprensa e blogueiros iranianos vêm criticando a maneira como seus antepassados são retratados no filme '300', inspirado pela história dos 300 guerreiros espartanos liderados pelo Rei Leônidas que, na Batalha de Termópilas, enfrentaram a invasão persa liderada pelo Rei Xerxes, representado no filme pelo ator Rodrigo Santoro.

'Por meio de guerra psicológica, propaganda política e o mau uso de organizações que eles mesmos criaram, cujas regras eles mesmo escreveram e sobre as quais eles exercem monopólio, estão tentando impedir o desenvolvimento de nossa nação', disse o presidente iraniano.

Ahmadinejad disse anteriormente que o Conselho de Segurança da ONU, que hoje analisa a possibilidade de ampliar as sanções contra o Irã em função do programa nuclear desse país, está sendo usado pelos EUA e a Grã-Bretanha como ferramenta contra a República Islâmica.

Apesar do pedido da ONU para que suspenda os trabalhos, o Irã se nega a desistir de seus planos de enriquecer urânio, um processo que pode produzir combustível para usinas nucleares ou, se o urânio for altamente enriquecido, material para bombas.