Ministro italiano diz que fará de tudo para extraditar Battisti
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SÃO PAULO - O ministro da Justiça italiano, Clemente Mastella, disse nesta terça-feira ao governo brasileiro que irá utilizar todos os instrumentos legais para obter a extradição do ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti, detido no domingo no Rio de Janeiro, informou o Ministério da Justiça do Brasil.
- Para nós é muito importante obter a extradição, já que Battisti cometeu quatro homicídios e fugiu do cárcere italiano, desrespeitando o direito dos cidadãos, das famílias das vítimas e a própria democracia - disse Mastella, de acordo com comunicado do ministério brasileiro.
O ministro italiano ligou para o ministro brasileiro, Tarso Genro, nesta terça-feira, para agradecer a atuação das forças policiais brasileiras na captura de Battisti. Mastella destacou que o tema toca muito de perto a opinião pública italiana e que espera a colaboração do governo brasileiro. Em 2005, o pedido de extradição do ex-preso e foragido político italiano Pietro Mancini, naturalizado brasileiro e que mora no país desde a década de 1980, foi negado pela Justiça brasileira.
Genro respondeu a Mastella, de acordo com a assessoria, que aguarda o pedido formal de extradição de Battisti por parte do governo italiano. O Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação do Ministério Público Federal, será responsável por aceitar o pedido.
- Vamos cumprir todos os trâmites legais, sem qualquer tipo de parcialidade - disse Genro.
No final de fevereiro, o governo da Itália solicitou às autoridades brasileiras a prisão preventiva de Battisti, tendo como finalidade a extradição. A Itália tem agora 40 dias para enviar o pedido de extradição ao Brasil. O ex-ativista de 52 anos foi condenado em seu país por quatro assassinatos e outros crimes durante o período em que fez parte de um grupo extremista ligado às Brigadas Vermelhas.
Os advogados de defesa de Battisti disseram na segunda-feira que vão tentar evitar a extradição, concentrando-se na alegação de que o italiano foi condenado à revelia na Itália por crimes cometidos na década de 1970. Battisti escapou da prisão em 1981 e passou vários anos morando na França sob a proteção do ex-presidente François Miterrand, que se recusava a extraditar radicais esquerdistas da Itália que tivessem renunciado à violência.
Segundo o delegado da Polícia Federal Alberto Lasserre, coordenador geral da Interpol no Brasil, Battisti vinha sendo investigado desde 2005, mas suspeita-se que ele tenha chegado ao país em 2004.
