Blair quer convencer Bush a flexibilizar setor aéreo dos EUA

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Agência EFE

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, vai tentar hoje convencer o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, numa videoconferência, a ampliar a abertura de seus céus às companhias aéreas da União Européia.

Segundo o jornal econômico britânico 'Financial Times', os diplomatas do Reino Unido não acham, no entanto, que Bush vai se comprometer a uma maior liberalização do setor aéreo de seu país.

Mesmo que fracassem as tentativas de aumentar as concessões americanas, é pouco provável, segundo o 'FT', que o Reino Unido consiga impedir, nesta quinta-feira, o acordo de 'céus abertos'

entre EUA e UE.

A companhia British Airways (BA) tem pressionado o Governo britânico a se opor ao tratado na reunião de ministros de Transporte europeus, que acontecerá na capital belga. Para a empresa, o texto é "muito desequilibrado' em benefício das companhias americanas.

Pelo acordo, a UE abriria seu mercado interno às companhias aéreas americanas. O setor aéreo americano, porém, continuaria fechado para as empresas européias.

A Associação Internacional do Transporte Aéreo avisou que o acordo é desigual. Ele permite que companhias americanas comprem até 49,9% do capital das européias, que porém são limitadas a um teto de 25% em suas aquisições nos EUA.

A diplomacia britânica tenta obter garantias mais firmes de que os EUA aceitarão abrir o seu mercado interno e eliminar as atuais restrições à propriedade estrangeira das companhias aéreas até 2010. Mas Bush não deve aceitar grandes mudanças.

Segundo o 'FT', diplomatas britânicos intensificarão em Bruxelas seus esforços para obter concessões dos americanos na segunda fase de negociação. Entre elas, a de que o acordo só entre em vigor em março de 2008, data prevista para a inauguração do terminal 5 do aeroporto internacional de Heathrow, em Londres.

Pelo tratado, Heathrow ficará totalmente aberto à concorrência internacional.

Os líderes do Congresso dos Estados Unidos pediram aos responsáveis da União Européia que aprovem o acordo, que, na sua opinião, trará benefícios dos dois lados do Atlântico.

Os europeus não estão tão convencidos. Mas admitem que é o máximo possível nesta primeira fase das negociações.

Londres está isolado em sua oposição ao acordo. Seus diplomatas, que têm muita experiência em negociações com Washington, acham que Bruxelas renunciou ao único trunfo que ainda estava em suas mãos, cedendo livre acesso a Heathrow para as companhias aéreas americanas sem a liberalização do mercado transatlântico.

Os outros Governos europeus, cansados das longas negociações, não parecem, no entanto, dispostos a seguir os britânicos. A Alemanha, que preside a UE neste semestre e rejeitou uma minuta anterior, está a favor do acordo.