Libertação de jornalista põe fim a duas semanas de angústia na Itália

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Agência EFE

ROMA - A libertação do jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, que era mantido refém no Afeganistão, pôs fim a duas semanas de angústia na Itália, dada a incerteza que havia em torno do seu seqüestro. Hoje, ao ser libertado após 14 dias, durante os quais temeu ser assassinado, o jornalista do 'La Repubblica' disse estar 'bem'fisicamente e que pretendia voltar à Itália nas próximas horas, a bordo de um avião da Presidência do Conselho de Ministros.

- Agradeço a todos. Sentia que não tinha sido abandonado, e isso me dava força e coragem. Mas houve momentos em que realmente tive medo de que, não demoraria muito, seria assassinado - disse Mastrogiacomo em suas primeiras declarações.

O jornalista foi libertado hoje, em Helmand, província do sul afegão, em troca da soltura de cinco insurgentes que estavam presos, segundo os talibãs.

Junto com Mastrogiacomo, também foram seqüestrados dois afegãos: o tradutor e o motorista que o acompanhavam. Este último foi assassinado dias depois, acusado pelos seqüestradores de ser um espião. Logo depois de ser levado para o hospital da ONG italiana Emergency em Lasjkargah, também no sul do país, o jornalista entrou em contato com sua mulher, Luisella Longo, e o diretor do 'La Repubblica', Ezio Mauro.

- Ele viu coisas terríveis, teve medo, mas, de todas as formas, resistiu ao golpe - disse sua mulher em entrevista coletiva, na qual acrescentou que Mastrogiacomo ficou acorrentado o tempo todo e mudou várias vezes de cativeiro.

Em declarações à 'Repubblica TV', o jornalista, de 52 anos, contou que, 'a cada noite', ele e seus seqüestradores percorriam "quilômetros e quilômetros' e, 'com freqüência, dormiram no meio das dunas do deserto'. A confirmação oficial da libertação do correspondente foi feita pelo primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, segundo quem Mastrogiacomo estava recebendo atendimento em um hospital. Nesse momento, a família do jornalista pôde finalmente respirar aliviada, após quase 15 dias de angústia e de ontem ter vivido um dia tenso, uma vez que chegaram notícias de Cabul sobre sua libertação que, no fim, acabaram por não se confirmarem. A libertação de Mastrogiacomo não foi fácil, confirmou Prodi, que admitiu ontem todos temeram o pior e que os últimos dias foram realmente 'dramáticos'. O momento mais duro foi ontem, quando os seqüestradores deram um ultimato e ameaçaram matar o jornalista, disse também sua mulher.

Hoje, no entanto, a tensão foi substituída pela alegria. Na sede do 'La Repubblica', quando chegou a notícia de que Mastrogiacomo estava bem e livre, uma bandeira italiana foi pendurada na fachada. O caminho até a libertação de Mastrogiacomo esteve repleto de momentos de confusão e temor, os quais começaram quando, no último dia 6, dois após o desaparecimento do jornalista, um grupo talibã confirmou seu seqüestro e acusou-o de ser um espião britânico, algo imediatamente negado pela Itália. O Executivo assegurou que todos os canais estavam abertos para uma negociação, que, segundo Prodi, 'não foi simples'.

A prova de que Mastrogiacomo estava vivo chegou no dia 14, em um vídeo enviado à ONG Emergency, no qual ele pedia a Prodi que fizesse o possível para conseguir logo sua libertação. Porém, no dia seguinte, a Itália voltou a temer pela vida de Mastrogiacomo, após a divulgação de uma fita de áudio, de qualidade muito ruim, na qual o jornalista pedia, agitadamente, que algo fosse feito em dois, do contrário, morreria. Um dia depois, os talibãs anunciaram que tinham matado o motorista afegão Said Agha e prorrogado o ultimato de Mastrogiacomo até hoje.

Nesse período, o jornalista foi mantido como refém junto com seu intérprete, Adjamal Naskhbandi, que, segundo Mastrogiacomo, também está 'livre'.

As últimas 48 horas foram uma maratona para o Governo, dadas as informações desencontradas sobre sua libertação, que não tinha acontecido até que, ontem à noite, todas as condições para a soltura do correspondente foram 'cumpridas', restando apenas aguardar. O seqüestro de Matrogiacomo foi o terceiro de italianos no Afeganistão. O mais recente tinha sido o do fotógrafo Gabriele Torsello, libertado em novembro passado, após quase um mês no cativeiro. Já a trabalhadora humanitária Clementina Cantoni passou 24 dias como refém em 2005.