Karl Rove estaria por trás de demissão de procuradores, diz 'ABC'
Agência EFE
WASHINGTON - Karl Rove, o assessor político do presidente americano, George W. Bush, estaria por trás da demissão de oito procuradores federais no ano passado, segundo novos documentos obtidos nesta quinta-feira pela rede de televisão 'ABC'.
Vários e-mails oficiais obtidos pela rede televisiva, e que poderiam ser divulgados amanhã, indicam que Rove esteve mais envolvido no plano para afastar os procuradores do que a Casa Branca admitiu.
O presidente do Comitê Judicial da Câmara de Representantes, John Conyers, afirmou em comunicado que, se essas informações forem comprovadas, 'geram perguntas muito problemáticas sobre a veracidade dos testemunhos oferecidos ao Congresso dos EUA', porque o Departamento de Justiça tinha indicado que a idéia não saiu da Casa Branca.
Segundo os documentos obtidos pela 'ABC', Rove propôs a idéia das demissões no início de janeiro de 2005, e o procurador-geral, Alberto Gonzales, também a discutiu quando ainda era assessor legal de Bush, muitas semanas antes de ser confirmado no novo cargo.
Caso a notícia seja confirmada, Rove ficaria no olho do furacão, e as explicações dadas até agora por Gonzales seriam colocadas em xeque.
A Casa Branca defendeu Gonzales e justificou as demissões por considerar que foi devido ao fraco desempenho profissional dos oito procuradores. A instituição afirmou ainda que Rove não esteve envolvido nas discussões.
Os procuradores federais são nomeados por períodos de quatro anos pelo presidente, que tem autoridade de dispor deles como melhor lhe convir.
Vários republicanos destacaram que, então, todos os procuradores federais do país - 93 ao todo - foram afastados durante a administração do democrata Bill Clinton.
Parte do escândalo deve-se ao fato de a Casa Branca insistir na idéia de que as demissões tinham sido feitas por ordem da então assessora legal do presidente, Harriet Miers, mas que a proposta original foi rejeitada por Gonzales.
No entanto, em janeiro de 2005, Miers ainda não tinha sido nomeada para suceder Gonzales, amigo íntimo de Bush e escolhido pelo líder como novo secretário de Justiça e procurador-geral dos EUA.
Gonzales, o 80º procurador-geral da nação - e primeiro hispânico no cargo -, admitiu que houve erros na gestão das demissões, mas defende essa decisão e reitera que não renunciará ao cargo.
Na evolução deste escândalo, que cresce como uma bola de neve, o Comitê Judicial do Senado deu hoje sinal verde para convocar cinco altos funcionários do Departamento de Justiça e seis dos oito procuradores despedidos para que, sob juramento, expliquem o ocorrido.
A pedido de Bush, Gonzales deve reunir-se com líderes do Congresso para justificar as demissões e aplacar as críticas da oposição, que atribui as destituições a motivações políticas.
Segundo críticos do Governo, alguns legisladores republicanos queriam que os procuradores agilizassem as investigações contra vários democratas antes das eleições de 7 de novembro do ano passado.
