Diagnóstico do Pentágono sobre o Iraque reconhece 'guerra civil'
Agência EFE
WASHINGTON - O conflito no Iraque tem características de uma guerra civil e, nos últimos meses, a violência sectária e os ataques contra as forças de ocupação e a infra-estrutura se intensificaram, segundo a avaliação trimestral do Pentágono divulgada nesta quinta-feira.
O relatório de 47 páginas tem o título de 'Avaliação da Estabilidade e Segurança no Iraque' e foi publicado no site do Pentágono.
Entre novembro e fevereiro, os ataques nas províncias de Bagdá, Al Anbar, Salah ad Din e Diyala, onde vivem 37% da população iraquiana, representaram 80% dos incidentes armados e das explosões, segundo o documento.
A média semanal de ataques subiu de 430 entre fevereiro e agosto de 2005 para mais de mil entre janeiro e fevereiro de 2006.
- O conflito no Iraque passou de uma insurgência, predominantemente sunita e dirigida contra a ocupação estrangeira, a uma luta pela divisão de influências política e econômica entre grupos sectários e o crime organizado - assinala o relatório.
- A expressão 'guerra civil' não engloba de maneira adequada a complexidade do conflito no Iraque, que inclui intensa violência entre xiitas, ataques da Al Qaeda e insurgentes sunitas contra as forças da Coalizão, e violência motivada por uma ampla atividade criminal - acrescentou a análise militar.
A administração do presidente George W. Bush se preocupou com a descrição da situação no Iraque como uma guerra civil porque as pesquisas de opinião pública mostram que a maioria dos americanos, apesar de respaldar uma 'guerra contra o terrorismo', se opõe ao envolvimento dos EUA em uma guerra entre facções dentro de um país.
O documento do Pentágono indica que 'alguns elementos da situação no Iraque correspondem à descrição de uma 'guerra civil', incluindo o endurecimento das identidades étnico-sectárias, a mobilização de grupos, o caráter de transformação da violência e os deslocamentos de população'.
O especialista Anthony Cordesman, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, sustentou que, quatro anos depois da invasão americana 'a nova estratégia no Iraque consiste nisto: um progresso incerto rumo a uma meta desconhecida'.
O porta-voz militar americano em Bagdá, general William Caldwell, disse que a operação iniciada há um mês por tropas dos EUA e por iraquianos reduziu o nível de violência e diminuiu os assassinatos sectários.
O senador democrata Edward Kennedy, de Massachusetts, sustentou que o relatório do Pentágono 'demonstra quão obstinada e insensata é a escalada da Guerra no Iraque'.
- Em lugar de ordenar que atuem como Polícia na guerra do Iraque, o presidente deveria reconhecer finalmente que se trata de uma guerra civil, e tirar nossas tropas do meio - acrescentou.
Cordesman, que qualificou o conflito do Iraque como uma guerra civil há dois anos, sustentou que 'os EUA enfrentam muito mais que uma insurgência, e muito mais que uma complexa mistura de guerras civis'.
O chefe do Pentágono, Robert Gates, disse que há quatro conflitos em andamento no Iraque: a insurgência de extremistas islâmicos, o confronto entre árabes sunitas e árabes xiitas, xiitas árabes e xiitas que não são árabes, e árabes contra curdos.
