DUP e Sinn Féin se mantém como principais partidos da Irlanda do Norte

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Agência EFE

BELFAST (REINO UNIDO) - Os radicais do Partido Democrático Unionista (DUP) e o Sinn Féin, braço político do Exército Republicano Irlândes (IRA), celebraram hoje antecipadamente a vitória nas eleições autônomas norte-irlandesas, em que já conquistaram 41 das 108 cadeiras que compõem a Assembléia do Ulster.

Dessa forma, o Sinn Féin, de Gerry Adams, e o DUP, do reverendo Ian Paisley, que chegaram a estas eleições com 24 e 32 deputados, respectivamente, somam agora 19 e 17 cadeiras.

O DUP está ganhando espaço às custas do terceiro partido da província, o moderado Partido Unionista do Ulster (UUP), que tinha 24 cadeiras, mas que, por enquanto, só conseguiu 2 lugares na Assembléia.

O também moderado Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP, nacionalista) soma dois deputados depois da apuração inicial, mas o esperado é que chegue a 18 ou supere o número atual com a recontagem dos votos, conforme o sistema eleitoral norte-irlandês.

Segundo a Comissão Eleitoral, a participação nestas eleições foi de 63%, mesmo número da consulta de 2003, mas longe dos 68% registrados em 1998.

Se a tendência se concretizar, os resultados definitivos, que serão conhecidos na sexta-feira, unirão os partidos na formação de um Governo autônomo. Esse processo obedecerá aos prazos previstos no acordo de Saint Andrews, apresentado em outubro por Londres e Dublin e admitido pelos partidos um mês depois.

Os dois Executivos fixaram o dia 26 de março como o limite para que entrem em acordo sobre o pacto de governabilidade que permite a restauração da autonomia, suspensa desde outubro de 2002.

A pedido do próprio reverendo Ian Paisley, líder do DUP, o texto de Saint Andrews também previu a realização de uma consulta popular, bem como um plebiscito ou eleições autônomas, para que o eleitorado possa se manifestar sobre os compromissos adquiridos por seus representantes políticos.

Paisley ganhou com a realização das eleições, a opção que preferia, e segundo o presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, o chefe do unionismo no Ulster deve agora respeitar o desejo de seus cidadãos.

Apesar de conseguir o desarmamento do Exército Republicano Irlandês (IRA) em 2005 e o reconhecimento da autoridade da Polícia do Ulster pelo Sinn Féin em janeiro, o DUP chegou às eleições com uma mensagem confusa e vaga a respeito das decisões que tomará nas próximas semanas.

Hoje mesmo, logo após saber que iria manter sua cadeira na Assembléia e que seu partido estava a caminho de uma contundente vitória, o reverendo afirmou que o Sinn Féin ainda deve 'se arrepender e abandonar o caminho do mal'.

Talvez só ele conheça o significado dessas palavras, mas o certo é que os republicanos cumpriram com todas as condições impostas pelos unionistas e os Governos britânico e irlandês para manter vivo o processo de pacificação.

Adams lembrou hoje a Paisley que os eleitores que participaram das eleições autônomas de quarta-feira querem ver as instituições norte-irlandesas restauradas, enquanto aqueles que 'não o desejam, obterão uma resposta contundente'.

Segundo os resultados da apuração inicial de votos em várias circunscrições da província, é improvável que algum dos partidos ou candidatos independentes opostos a um pacto entre unionistas e republicanos obtenham lugar na Assembléia do Ulster.

O grande êxito do DUP e do Sinn Féin não foi só calar as vozes de seus dissidentes, mas aumentar sua vantagem em relação ao UUP e ao SDLP. Os dois partidos representam as comunidades protestante e católica, e a maior vantagem lhes dá um mandato eleitoral forte para negociar com garantias.

A queda dos moderados, que começou nas eleições autônomas de 2004, pode se consumar nesse pleito, considerado chave para o futuro do processo de paz.

Os primeiros-ministros do Reino Unido e da República da Irlanda, Tony Blair e Bertie Ahern, respectivamente, vão analisar os resultados provisórios amanhã, em Bruxelas, aproveitando a Cúpula de Primavera da União Européia.

O titular britânico para o Ulster, Peter Hain, vai iniciar uma rodada de intensas conversas com os partidos para negociar a formação do esperado Governo autônomo.