UE tenta superar diferenças para combater mudança climática

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Agência EFE

BRUXELAS - Os chefes de Estado e de Governo da União Européia tentarão amanhã superar as diferenças sobre a estratégia comum para a luta global contra a mudança climática e, ao mesmo tempo, garantir a segurança energética.

A cúpula de primavera (do hemisfério norte) da UE, que será realizada amanhã e na sexta-feira, tem como principal desafio aprovar, pela primeira vez na história, um ambicioso plano de ação para a proteção do clima e a política energética, proposto pela Comissão Européia.

No plano redigido pela Comissão, foram incluídos dois pontos polêmicos e que dividem os Países-membros: o estabelecimento de objetivos obrigatórios para as energias renováveis e a possível partilha dos grandes monopólios do setor.

Entretanto, a chanceler alemã, Angela Merkel, que chegou nesta tarde a Bruxelas, espera que as diferenças entre os membros não destruam a essência do Conselho Europeu.

Merkel escolheu o problema do clima como o tema chave de sua primeira cúpula como presidente da UE. A chefe do Governo alemão propõe que a Europa assuma um papel de liderança na proteção do clima, e convença outras grandes potências a se juntarem ao projeto.

Na prática, o encontro busca estabelecer o objetivo de reduzir, até 2020, as emissões de CO2 na UE em aproximadamente 20%. A meta pode chegar a 30%, caso outros grandes emissores, como Estados Unidos, China e Índia, sigam o exemplo.

No entanto, há um racha entre os membros sobre qual estratégia deve ser adotada para concretizar esse objetivo.

Praticamente metade dos países defende que 20% da energia consumida pela UE em 2020 proceda obrigatoriamente de fontes renováveis (como biomassa, eólica ou solar).

Diante dessa posição, defendida por países como Espanha, Alemanha e Grã-Bretanha, o resto dos membros, liderados pela França, pede que essa estatística seja obrigatória.

O governo francês pretende aprovar um plano de baixas emissões de CO2, que inclua a nuclear, junto às renováveis e ao carvão limpo.

Merkel insistiu hoje com os chefes de Estado e de Governo para que atuem 'de forma decisiva' no combate ao aquecimento global.

- Se atuamos hoje de forma decisiva, temos uma oportunidade de resistir de maneira efetiva aos perigos da mudança climática - afirma Merkel, na carta de convite à cúpula, enviada aos líderes da União.

Além disso, a reunião de Bruxelas abordará também o processo de implementação de reformas econômicas para melhorar a competitividade econômica da UE (conhecido como 'agenda de Lisboa"), e impulsionará um plano para reduzir a burocracia, tanto a nível comunitário como nacional.

A cúpula terá início na tarde desta quinta-feira, com a habitual reunião com o presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering.

Após o encontro, haverá uma primeira sessão de trabalho, que tratará de temas ligados à energia e à mudança climática.

Ao fim da discussão das propostas, três jantares reunirão chefes de Estado e Governo, ministros de Exteriores e ministros de Economia.

Merkel apresentará durante o jantar suas 'idéias sobre a estrutura e o conteúdo' da Declaração de Berlim. A chanceler quer aprovar o documento na cúpula extraordinária, realizada nos dias 24 e 25 de março deste ano, na capital alemã, por ocasião do 50º aniversário da assinatura do Tratado de Roma, que deu origem à atual UE.

Nesse ponto, também há grandes divergências, já que Reino Unido e Polônia não querem uma menção à Constituição européia nessa declaração.

Os líderes também discutirão as relações entre a União Européia e os Estados Unidos, em um momento próximo à cúpula que ambos realizarão em 30 de abril, em Washington.