Descaso hospitalar derruba secretário do Exército nos EUA

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REUTERS

WASHINGTON - O secretário norte-americano do Exército, Francis Harvey, renunciou após relatos de que soldados feridos no Iraque e no Afeganistão estariam recebendo um mau tratamento no principal hospital do Exército, anunciou o secretário de Defesa, Robert Gates, na sexta-feira.

A renúncia de Harvey, um civil responsável por fiscalizar o Exército no Pentágono, foi comunicada um dia depois de o diretor do Centro Médico Walter Reed ser demitido. Gates atribuiu os problemas no hospital militar de Washington a falhas de liderança.

- Estou desapontado por de alguma forma o Exército não ter apreciado adequadamente a seriedade da situação relativa ao atendimento aos pacientes ambulatoriais no Walter Reed - disse Gates. - Alguns (líderes) demonstraram postura excessivamente defensiva e não tiveram foco suficiente para escavar e tratar dos problemas.

Os problemas do edifício anexo ao hospital militar de Washington foram divulgados por uma investigação do jornal The Washington Post, publicada na semana passada. O jornal descobriu que soldados em recuperação estavam vivendo em um prédio dilapidado, infestado por ratos, mofo e baratas.

A reportagem foi especialmente constrangedora porque o presidente George W. Bush e outros membros do governo já fizeram várias visitas aos feridos no hospital para mostrar sua preocupação com os militares que foram ao campo de batalha.

Bush prometeu nomear uma comissão bipartidária para analisar o atendimento médico aos veteranos militares.

'(O tratamento dado a eles) é inaceitável para mim, é inaceitável para o nosso país e não vai continuar - disse o presidente no seu programa semanal de rádio, gravado na sexta-feira para ir ao ar na manhã de sábado.

O presidente, que soube dos problemas no hospital pelo jornal, disse que a maioria dos funcionários do local são profissionais dedicados, mas admitiu que alguns pacientes 'experimentam demoras burocráticas e vivem em condições aquém das que merecem.'

A Casa Branca disse que a comissão bipartidária, cujos integrantes serão anunciados nos próximos dias, trabalhará de forma paralela à investigação ordenada pelo Pentágono.

Mais de 10 mil soldados dos EUA no Iraque e mais de 600 envolvidos no conflito do Afeganistão ficaram feridos a ponto de não poderem voltar a suas funções num prazo de 72 horas, segundo estatísticas do Pentágono.