Prodi deve receber na quarta-feira voto para continuar premiê

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ROMA - O Senado italiano deve conceder na quarta-feira um voto de confiança para que Romano Prodi continue como primeiro-ministro, uma semana depois de ele ter renunciado devido a uma rebelião na sua coalizão.

Desde então, o grupo governista, que reúne de católicos de centro a radicais comunistas, aparou suas arestas, permitindo que o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, pedisse a Prodi que permanecesse à frente do 61o gabinete italiano do pós-guerra, submetendo-se a um teste no Parlamento.

Desde que anunciou sua renúncia, Prodi adotava uma postura 'apoie-me ou demita-me', valendo-se do temor que seus aliados têm com a eventual volta ao poder do conservador Silvio Berlusconi.

Além disso, ele conseguiu atrair dois senadores, um deles ex-vice-premiê de Berlusconi, Para consolidar sua ligeira maioria no Senado. Graças a isso e ao apoio de senadores vitalícios, Prodi deve receber na quarta-feira 164 votos a favor e 157 contra. O resultado deve ser conhecido antes das 22h (18h em Brasília). Na sexta-feira, a votação é na Câmara, onde Prodi tem uma maioria muito mais confortável.

O premiê prometeu ao Senado que, se for confirmado, dará absoluta prioridade para a reforma eleitoral, vista como necessária para acabar com a crônica instabilidade política do país.

- Estou aqui hoje para pedir uma renovação de confiança, de modo que possamos imediatamente restaurar a completa normalidade das atividades parlamentares e retomar o governo com determinação e energia ainda maiores - disse Prodi na terça-feira aos senadores.

A oposição de centro-direita, que pedia eleições antecipadas, disse que o voto de confiança a Prodi só vai prolongar a agonia do seu gabinete.

- O governo de Prodi já ultrapassou o prazo de validade. Se fosse um iogurte, já teriam retirado das prateleiras dos supermercados - disse um porta-voz de Berlusconi.

Prodi, que assumiu o cargo de premiê há apenas nove meses, após derrotar Berlusconi na eleição mais acirrada da Itália desde 1945, conseguiu convencer os nove partidos da sua coalizão a assinarem um programa inegociável de 12 itens, em que ele tem a palavra final em caso de conflito.

Mas muitos analistas acham que Prodi continuará vulnerável a disputas em sua coalizão, que é dividida a respeito de tudo --da presença militar no Afeganistão à reforma previdenciária e aos direitos dos homossexuais.

- Vou votar pela confiança porque não quero que a direita volte, mas continuo distante em várias questões, como o Afeganistão, onde continuarei votando 'não' - disse Franco Turigliatto, um dos senadores que haviam abandonado Prodi na semana passada.

O Parlamento precisa aprovar até o final de março novas verbas para manter 1.900 soldados italianos como parte da força da Otan no Afeganistão. Uma votação sobre esse tema precipitou a crise italiana, que foi em geral ignorada pelos mercados financeiros e pelos outros países da União Européia.