Soldado dos EUA chora ao depor sobre estupro e mortes no Iraque
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FORT CAMPBEL (EUA) - Um militar norte-americano submetido a corte marcial num quartel do Kentucky chorou na quarta-feira ao descrever como ele e seus colegas planejaram o estupro de uma menina iraquiana de 14 anos, assassinada junto com sua família.
O sargento Paul Cortez, 24 anos, é o segundo soldado a confessar os crimes ocorridos em março de 2006 em Mahmudiya, ao sul de Bagdá. Os soldados em seguida jogaram querosene no corpo da menina e atearam fogo na tentativa de ocultar o crime.
Fardado, ladeado por seus advogados civis e militares, Cortez leu um texto descrevendo como ele e os soldados James Barker e Steven Green (já exonerado) planejaram o ataque.
- Enquanto jogávamos baralho, Barker e Green começaram a falar de fazer sexo com uma iraquiana. Barker e Green já sabiam... - disse o soldado, que então começou a chorar. De cabeça baixa, permaneceu um minuto em silêncio, fungando ocasionalmente.
- Barker e Green já sabiam a qual, hum, casa eles queriam ir. Sabiam que só havia um homem na casa, e sabiam que seria um alvo fácil - prosseguiu Cortez.
Uma vez lá dentro, Green, suposto líder da ação, levou a mãe, o pai e a irmãzinha da menina para um quarto, enquanto Cortez e Barker apanhavam Abeer Qassim Al Janabi na sala, onde se revezaram violentando-a.
- Ela ficou se contorcendo, tentando manter as pernas fechadas e dizendo coisas em árabe - disse Cortez. - Durante o tempo em que eu e Barker ficamos estuprando Abeer, ouvi cinco ou seis tiros vindo do quarto. Depois que Barker acabou, Green saiu do quarto e disse que tinha matado todos eles, que todos estavam mortos. Green então se colocou entre as pernas de Abeer para estuprá-la - disse Cortez, ainda soluçando. Houve uma pausa no meio do depoimento para que ele pudesse se recompor.
Cortez pode ser condenado à prisão perpétua sem direito a sursis, pelo estupro e pelos quatro homicídios. As sentenças devem sair ainda na quarta ou na quinta-feira.
Ao todo, cinco militares (sendo quatro da ativa) foram indiciados pelos crimes de Mahmudiya, que provocaram grande indignação e acirraram a tensão no Iraque.
Barker se declarou culpado em novembro e foi condenado a 90 anos num presídio militar. Green foi dispensado do Exército por 'distúrbio de personalidade' e aguarda julgamento civil numa prisão do Kentucky.
Barker e Cortez evitaram a pena de morte ao se declararem culpados e porque devem depor contra Green e outros acusados.
Cortez também confessou os crimes de estupro, incêndio proposital, violação de domicílio e obstrução da justiça (por tentar se livra da arma do crime, um rifle AK-47, jogado num canal). Ele também admitiu ter bebido whisky antes do ataque, uma violação às regras do Exército contra o consumo de álcool naquela parte do Iraque.
Os outros soldados acusados no caso são Jesse Spielman e Bryan Howard.
