Papa mostra compreensão a arcebispo acusado de espionagem

Por

REUTERS

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI escreveu uma carta a Stanislaw Wielgus, demonstrando sua 'proximidade' e 'compreensão', após este ter renunciado ao cargo de arcebispo da Varsóvia por causa das acusações de ter sido informante da Polícia comunista.

A carta do Pontífice foi divulgada pela assessoria de imprensa do Vaticano. No entanto, na terça-feira, o conteúdo do documento já havia sido revelado pelo cardeal Jozef Glemp, nomeado temporariamente para o cargo ocupado por Wielgus.

Bento XVI respondeu à carta enviada pelo arcebispo em 8 de janeiro. A mensagem explicava ao papa os motivos pelos quais neste mesmo dia o religioso decidiu renunciar ao cargo, decisão aceita pelo Pontífice.

Na carta, o papa afirma que 'tem plena consciência das circunstâncias excepcionais' nas quais Wielgus realizou seu serviço sacerdotal, 'quando o regime comunista da Polônia usava todos os meios para sufocar a liberdade dos cidadãos e, particularmente, do clero'.

Wielgus sempre negou ter colaborado com o regime comunista, e justificou que suas reuniões com os serviços secretos tinham apenas o objetivo de obter passaporte e poder viajar.

Após ter acesso a um relatório do Instituto da Memória Nacional, onde estavam os arquivos da Polícia durante este período, a Conferência Episcopal polonesa afirmou não ter dúvidas de que a colaboração do arcebispo com o regime 'foi consciente e voluntária'.