Hamas vê progresso na postura do Quarteto sobre Governo de união

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Agência EFE

GAZA - O porta-voz do Governo palestino de transição liderado pelo Hamas, Ghazi Hamad, afirmou nesta quarta-feira que vê um progresso na postura do Quarteto do Oriente Médio em relação à nova coalizão nacional palestina.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, encarregou o primeiro-ministro Ismail Haniyeh de formar um Governo de união nacional, após o acordo entre os grupos palestinos Hamas e Fatah no dia 8, na cidade saudita de Meca.

- Na reunião do Quarteto não se falou sobre a imposição de um embargo ao novo Governo de união nacional - disse Hamad. - Eu acho que houve um progresso na postura do comitê - opinou.

No entanto, esta tarde, em Berlim, o Quarteto reafirmou seu apoio a 'um Governo palestino comprometido com a não violência, que reconheça o Estado de Israel e aceite os acordos e obrigações prévias, inclusive o Mapa de Caminho', segundo uma declaração lida pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após a reunião.

"Observamos com preocupação a reunião. Nós achamos que houve uma mudança na posição do Quarteto que pode abrir a porta para uma cooperação positiva' avaliou Hamad.

O porta-voz acrescentou que alguns membros do Quarteto apóiam a formação do Governo de união nacional, e evitam empregar a linguagem do embargo.

O Quarteto para o Oriente Médio concluiu sua segunda reunião em três semanas, sem a esperada declaração de apoio ao acordo de um Governo de união nacional palestino.

- O Quarteto discutiu os esforços para a formação de um Governo de união nacional que transforme em realidade o Acordo de Meca - diz a declaração, na sua única referência ao pacto.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, uma das participantes da reunião, atribuiu a falta de apoio ao fato de que "a realidade é que ainda não há um Governo palestino'.

Ela mostrou ceticismo em relação ao Acordo de Meca, que, na sua análise e contra a opinião dos europeus, cria dois inconvenientes.

- O acordo complica as coisas. Primeiro, nos levou a um processo de interinidade, porque o pretenso Governo de união nacional não se formou - disse.

A segunda 'complicação', na sua opinião, é que uma parte integrante do futuro Governo não aceita os princípios estabelecidos pelo Quarteto e, portanto, as bases do diálogo.

- Como podem duas partes falar de paz se uma delas não renuncia à violência? Como se pode falar de uma solução de dois Estados se uma parte não aceita a existência da outra? É impossível - ressaltou.