Madri: Marroquino nega participação nos ataques e ligação com Al Qaeda

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Agência EFE

MADRI - O marroquino Youssef Belhadj, suposto porta-voz da Al Qaeda na Europa e acusado de organizar os atentados de 11 de março de 2004 em Madri, negou hoje sua participação no massacre e seu pertencimento à rede liderada por Osama bin Laden.

Belhadj aceitou respondeu apenas as perguntas feitas pelo advogado de defesa. No entanto, ele sempre negou ter participado dos atentados de Madri, que pertença à Al Qaeda ou que tenha se comunicado alguma vez com Bin Laden.

No segundo dia do julgamento sobre o ataque na capital espanhola que é realizado na Audiência Nacional, Belhadj também negou ter estado em acampamentos de treinamento terrorista no Afeganistão e negou ser um islâmico radical.

Ele afirmou ser 'um muçulmano normal' e assegurou que abandonou o Marrocos para buscar trabalho na Bélgica e na Espanha, onde está parte de sua família.

Como Rabei Osman El Sayed - conhecido como 'O Egípcio' - fez ontem na primeira sessão do julgamento, Belhadj expressou sua condenação taxativa ao terrorismo.

- Condeno estes atentados (os de Madri) e todos os atentados que aconteceram no mundo. Sou contra qualquer forma de violência - declarou o réu.

Em sua declaração, Belhadj afirmou que trabalhou em uma fábrica de batatas fritas na Bélgica e que viajou à Espanha três vezes, em 2002, em 2002 e em 2004, para visitar sua irmã na primeira ocasião e para tentar conseguir uma residência nas outras duas.

Seu cunhado, afirmou, lhe disse que 'era fácil conseguir os papéis'.

Segundo a acusação, Belhadj foi a Madri em outubro de 2003 para marcar a data dos atentados, e em fevereiro de 2004 voltou para acertar os últimos detalhes das ações terroristas.

Ele foi ligado, por causa de ligações feitas com seu telefone celular, com outros processados, como Hassan El Haski (o terceiro processado como autor intelectual do ataque), Abdelmajid Bouchar (acusado de pertencer ao grupo terrorista), os irmãos Moussaten (supostos colaboradores e sobrinhos de Belhadj) e o foragido Mohammed Afallah.

A acusação se baseia também nos depoimentos dados à Polícia por um sobrinho de Belhadj, que disse que seu tio era membro da Al Qaeda, que viajou para o Afeganistão, que arrecadava dinheiro para a jihad em uma mesquita e que tinha dito que os ataques de Madri 'lhe pareciam pouco'.

O acusado disse que estas declarações foram feitas após a Polícia "insultar, agredir e ameaçar levar (seus familiares) para o Marrocos'.

A Promotoria também considera que Belhadj, preso no dia primeiro de fevereiro de 2005 na Bélgica quando estava em liberdade provisória, é a pessoa que, com o rosto encoberto, assume os atentados de Madri em nome de uma célula da Al Qaeda na Europa.