Ahmadinejad diz que dará continuidade ao programa nuclear iraniano
Agência EFE
TEERÃ -
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou neste domingo, durante a comemoração do 28º aniversário da Revolução Islâmica, que não suspenderá o programa de enriquecimento de urânio do país e que está disposto a dialogar, mas sem que condições sejam impostas.
- Não aceitamos as condições impossíveis de serem cumpridas, e não suspenderemos nossas atividades - afirmou Ahmadinejad para os milhares de iranianos que lotaram a praça de Azadi, em Teerã, para lembrar a revolução de 1979, movimento que derrubou o regime monárquico.
Ahmadinejad fez as declarações após uma caminhada que marcou o encerramento dos dez dias de comemorações oficiais. Segundo o presidente, no dia 9 de abril, Teerã anunciará 'um novo avanço' em suas atividades nucleares.
Os iranianos começaram a caminhar em direção à praça de Azadi às 9h30 (4h, em Brasília) para participar da celebração, expressar seu compromisso com os ideais do aiatolá Khomeini e ouvir o discurso do presidente.
Os participantes entoaram frases de apoio à Revolução Islâmica e em defesa do direito do Irã de produzir energia nuclear com fins pacíficos.
Segundo Ahmadinejad, 'apesar de o Parlamento Islâmico do Irã ter autorizado o Governo a rever suas colaborações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e inclusive suspendê-las e sair do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), o Governo iraniano quer resolver o caso pacificamente e através do dialogo'.
O presidente minimizou a importância de possíveis sanções contra o país por causa do programa nuclear e disse confiar que, no final, a República Islâmica 'sairá vitoriosa'.
Na presença dos manifestantes, alguns dos quais levavam cartazes escritos 'sim à tecnologia nuclear', 'Morte aos Estados Unidos', "Morte a Israel', Ahmadinejad afirmou que o país dispõe de tecnologia nuclear graças aos esforços da juventude iraniana e 'a utiliza em diversos campos pacíficos'.
Segundo a agência oficial de notícias iraniana 'Irna', os participantes da caminhada de Teerã carregavam uma carta de 7 quilômetros assinada por estudantes de colégios e universidades de várias cidades. A mensagem condena a resolução 1.737 do Conselho de Segurança da ONU contra as atividades nucleares do Irã.
- A extração de material (mineral de urânio) em Isfahan está sendo feita com rapidez, enquanto as instalações de produção de água pesada, e a central que funciona com água pesada' continuam funcionando, afirmou o líder iraniano, acrescentando que estes avanços estão sendo empregados no campo da medicina.
Ahmadinejad também se referiu à questão palestina e disse que a destruição da Mesquita de Al-Aqsa não resolverá o problema dos israelenses, mas antecipará sua queda.
As comemorações lembram também o retorno do aiatolá Khomeini ao Irã e o início da república islâmica no país.
Em 1963, Khomeini foi detido pelas forças de segurança do xá Mohamad Reza Pahlevi por se opor às medidas liberalizadoras que estavam sendo realizadas no país, as quais qualificava de contrárias ao Islã.
Um ano mais tarde, o aiatolá foi mandado para a Turquia, mas as autoridades do país não o aceitaram. Ele então foi deportado para o Iraque, de onde foi novamente expulso, desta vez com destino à França. Khomeini chegou a este país em outubro de 1978 e ficou em Neauphle-le-Château, perto de Paris.
De seu exílio, Khomeini continuou combatendo o regime do xá. Em 16 de janeiro de 1979, o dirigente e sua família abandonaram o Irã e, apenas duas semanas depois, em 1º de fevereiro, Khomeini aterrissou no aeroporto da capital.
Quatro dias depois, Khomeini estabeleceu um novo Governo e proclamou no país a República Islâmica.
