Procuradoria defende diretor de jornal que publicou charges de Maomé

Por

Agência EFE

PARIS - A Promotoria francesa pediu nesta quinta-feira a absolvição do diretor do jornal 'Charlie Hebdo' pelo caso da publicação de caricaturas de Maomé, enquanto entidades muçulmanas demandantes pediram que o crime de injúria com base religiosa seja reconhecido.

Caso isto aconteça, a pena poderia incluir seis meses de prisão e uma multa.

Terminadas as audiências no tribunal correcional de Paris, agora o júri terá que dar seu veredicto sobre a publicação de caricaturas do profeta Maomé por este jornal em fevereiro de 2006.

A promotora Anne de Fontette pediu a absolvição do diretor do "Charlie Hebdo', Philippe Val, por considerar que a publicação dos desenhos não se enquadra dentro do crime de 'injúrias públicas contra um grupo de pessoas em razão de sua religião', tal como defende a parte civil.

Anteriormente haviam falado os advogados dos demandantes, que são a União de Organizações Islâmicas da França (UOIF) e a Grande Mesquita de Paris.

O advogado Christophe Bigot justificou seu pedido de que o tribunal reconheça o crime de injúrias baseando-se no fato de o jornal francês ter decidido publicar os mesmos desenhos de Maomé que meses antes apareceram em uma revista da Dinamarca e geraram protestos no seio da comunidade muçulmana.

Ao publicar as caricaturas meses depois, o 'Charlie Hebdo' cometeu 'um ato perfeitamente consciente de que feriria' crenças religiosas, declarou Bigot.

O julgamento, com duração de dois dias, gerou uma grande expectativa na França e atraiu até jornalistas de outros países.

Bigot criticou o fato de o processo de seus clientes ter sido interpretado como um desejo de 'restabelecer o crime de blasfêmia' e de fazer a França e a Justiça retrocederem a uma situação de 'país bárbaro'.

Além dos desenhos de Maomé que apareciam na revista dinamarquesa, o 'Charlie Hebdo' incluiu outros nos quais o profeta é representado se lamentando por ser 'amado por tolos' ou com um turbante de onde sai um pavio de bomba.

"Os muçulmanos são estigmatizados como pessoas que crêem em um profeta que prega a morte', disse Bigot, para quem as charges 'são uma mensagem que tenta provocar medo dos muçulmanos'.

A defesa de Val pediu sua absolvição, lembrando que nunca houve a intenção de ferir ninguém, ressaltando que a França é um país laico, onde a liberdade de expressão é fundamental.

O julgamento gerou um debate sobre os limites da imprensa, a compatibilidade da liberdade de expressão e informação e o respeito às crenças religiosas.