EUA: avanço em negociações sobre programa nuclear norte-coreano

Por

Agência EFE

WASHINGTON - Os Estados Unidos 'têm razões para pensarem que haverá um avanço' na rodada de negociações a seis lados sobre o desarmamento nuclear da Coréia do Norte, prevista para o dia 8 de fevereiro em Pequim.

Esta declaração foi dada nesta quinta-feira pelo representante americano nestas negociações, Christopher Hill, em entrevista coletiva na qual falou sobre o retorno destas conversas um dia antes de viajar para a região.

- Há uma base para avançar nesta rodada - declarou Hill.

No entanto, ele se mostrou convencido de que não haverá uma desnuclearização completa em fevereiro, embora vá acontecer um avanço substancial nesta área.

- Apenas o tempo dirá se teremos êxito ou não - disse.

As negociações foram retomadas em dezembro de 2006 sem resultados positivos, embora a reunião bilateral de meados de janeiro entre os negociadores dos EUA e da Coréia do Norte em Berlim tenha despertado um novo otimismo entre as partes.

Os negociadores das duas Coréias, da China, da Rússia, dos EUA e do Japão tentarão conseguir um acordo nesta ocasião.

A atual crise nuclear começou em outubro de 2002, quando a Coréia do Norte reconheceu perante altos cargos americanos a existência de um programa nuclear secreto, violando assim o Acordo Marco assinado pelos dois países em 1994.

Na entrevista coletiva, Hill disse que nesta nova fase de conversas acontecerá para pôr em prática os acordos do 19 de setembro de 2005 e que não será aceita outra opção.

Nesta oportunidade, a Coréia do Norte chegou a desmantelar seu programa nuclear em troca de ajudas econômicas e garantias de que não seria invadida.

Em novembro de 2005, os EUA conseguiram congelar contas norte-coreanas em Macau, após suspeitas, não confirmadas até agora, de que o regime norte-coreano as usava para lavar dinheiro procedente do contrabando de armas e de outras atividades ilegais.

Esta decisão americana motivou a retirada de Pyongyang, durante cerca de 13 meses, da mesa do diálogo, realizado em Pequim desde 2003 para convencer o regime norte-coreano a abandonar seu programa de armas atômicas.

Antes de chegar à China, em 7 de fevereiro, o negociador americano tem previstas reuniões bilaterais com seus colegas da Rússia, da Coréia do Sul e do Japão.

Neste sentido, afirmou que realizará amanhã uma viagem a Seul, onde permanecerá no fim de semana, e que na próxima segunda irá a Tóquio para continuar com seus diálogos ligados ao encontro a seis lados.

Na próxima quarta, ele viajará para Pequim, onde se reunirá com seu colega russo.

Hill afirmou que entre a suspensão das conversas, em dezembro, e antes da reunião, de fevereiro, os seis países envolvidos - 'grandes jogadores' do processo - mantiveram consultas bilaterais que permitem prever 'que há uma base para conseguir um avanço' nesta nova rodada.

Embora também tenha reconhecido que chegou às negociações em dezembro com certo otimismo 'e as expectativas não tenham sido cumpridas. Será necessário ver'.

No entanto, em declarações a jornalistas, Hill não quis especificar que tipo ações esperava da Coréia do Norte nesta nova rodada.

- O atual marco de trabalho tem sentido para conseguir resultados - declarou o negociador americano.

Por outro lado, Hill afirmou que estas conversas não são realizadas apenas entre Estados Unidos e a Coréia do Norte, e que caso sejam alcançados avanços será o resultado do trabalho de todos os participantes.

"Todos lutamos pelos mesmos objetivos. Todos temos razões para querer avançar - disse Hill.

Sobre as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU à Coréia do Norte após este país realizar em outubro um teste nuclear, ele disse que não se deve esquecer que ainda continuam vigentes e que então 'emitiram um forte sinal'.