Galliano leva estilo japonês às passarelas parisienses

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PARIS - Modelos de quimonos almofadados, com ar de gueixas, desfilaram ao som de um gongo no show de John Galliano para a Christian Dior na segunda-feira, quando o estilista britânico apresentou uma coleção de inspiração japonesa para clientes ricas e famosas.

Usando grandes leques, lanternas e ramos de madeira na cabeça, as garotas desfilaram longos de noite com flores dobradas, em estilo origami, nas mangas e nos ombros.

O bombástico estilista conhecido por suas apresentações em estilo teatral fez suas modelos emergirem de uma porta rotatória para um lounge em que a passarela ziguezagueava em volta dos convidados da primeira fileira, entre os quais estava a dançarina burlesca Dita von Teese.

- Adoro a teatralidade do que Galliano faz - disse Teese, negando-se a comentar seu rompimento recente com o roqueiro Marilyn Manson. - Estou aqui para curtir a semana de moda de Paris.

Clientes de alta-costura abastadas aplaudiram quando milhares de borboletas de papel choveram sobre as modelos que usavam casacos laranjas em estilo de quimono. Uma garota exibia um vestido vermelho recoberto de flores cintilantes, e seu decote abria como uma flor.

As roupas de alta-costura são feitas sob medida e custam milhares de dólares, fato que reduz o número estimado de clientes para entre 200 e 300 em todo o mundo.

- Infelizmente não posso pagar pela alta-costura - disse a atriz alemã Diane Kruger à Reuters antes do desfile da Dior. - Mas já pude pegar emprestadas algumas peças. É algo muito especial. Esses vestidos só existem uma vez no mundo.

O desfile de Galliano aconteceu num momento em que o iene fraco leva os analistas financeiros a se indagar por quanto tempo os consumidores japoneses vão continuar a ser uma força motriz do boom na demanda por artigos de luxo.

A alta-costura é um negócio que custa caro às casas de moda, e muitas grifes deixaram de apresentar os desfiles sazonais que custam milhões de dólares.

Mas especialistas e clientes dizem que os desfiles têm um objetivo maior do que apenas vender vestidos extravagantes.

- É o que marca um 'extra' - disse Sidney Toledano, executivo-chefe da Christian Dior. - É o que define a magia do nome Dior. É a pesquisa, o trabalho artesanal, a excelência. Isso não é possível de outra maneira.

O estilista italiano Valentino, que já vestiu estrelas de Hollywood de Sophia Loren a Gwyneth Paltrow, também visou suas clientes endinheiradas com a coleção de vestidos bordados que exibiu.

As modelos apresentaram boleros usados com saias cintilantes. Uma modelo desfilou num pijama de seda com listras douradas, e outra exibiu um vestido flutuante com alças largas bordadas com paetês.